Novo teste genético permite detetar cancros uterinos numa fase precoce

Uma equipa de investigadores do Centro do Cancro Kimmel de Baltimore, nos EUA, desenvolveu um teste genético que permite a deteção em fase precoce de dois tipo de cancros uterinos, incluindo o altamente mortífero cancro dos ovários. O teste, chamado PapSEEK, já mostra níveis de eficácia muito satisfatórios no caso do cancro do útero.

Uma equipa de investigadores do Centro do Cancro Kimmel de Baltimore, nos EUA, desenvolveu um teste genético que permite a deteção em fase precoce de dois tipo de cancros uterinos, incluindo o altamente mortífero cancro dos ovários. O teste permite identificar a existência de mutações em 18 genes, que normalmente estão associados aos cancros do útero e dos ovários.

O objetivo desde método inovador, que analisa pequenas amostras de ADN retiradas do colo do útero e do útero – bem como sangue -, é detetar a formação de um cancro na fase em que este ainda é tratável, ou seja, quando as probabilidades de sobrevivência ainda são muito altas.

O cancro do colo do útero, por exemplo, é o segundo tipo de tumor mais frequente entre as mulheres, só superado pelo cancro da mama. Na maioria dos casos, é assintomático, pelo que, quando os sintomas – que se podem manifestar sob a forma de sangramento vaginal espontâneo, dor abdominal constante ou súbita perda de peso –  começam a surgir, o tumor já estará bastante desenvolvido, dando geralmente ao doente uma sobrevida baixa.

A oncologista Lucy Gilbert, que participou na elaboração do teste, o PapSEEK, usa uma imagem curiosa para explicar o caráter silencioso deste tipo de cancro. ” [Estas mulheres] podem correr a maratona num dia e, no dia seguinte, terem um cancro de nível IV [fase em que o tumor já provocou uma metastização]”.

Embora o teste ainda precise de ser melhorado, já mostra níveis de eficácia muito satisfatórios. Das 382 doentes com cancro no útero, o PapSEKK identificou 81% dos tumores – sendo que conseguiu detetar 78% dos tumores em fase precoce. Quanto às mulheres com cancro nos ovários, cujo diagnóstico é mais díficil, o sucesso do teste não é tão evidente – detetou apenas 33% dos tumores.

Um dado importante é que, no grupo de controlo constítuido por mil mulheres, não se registou nenhum falso positivo, isto é, a fiabilidade do teste a este nível é irrepreensível. Lucy Gilbert, que também é Diretora do Departamento de Ginecologia do Hospital Universitário McGill, em Montreal, no Canadá, disse ao jornal Montreal Gazette que “os cancros do útero e dos ovários tiram a vida a muitas mulheres e causam muito sofrimento”. Gilbert tem procurado a cura para estas doenças durante toda a sua carreira – a oncologista lembra até que estes tipos de cancro matam tanto nos dias de hoje como quando ela própria era estudante universitária, o que pode ser visto como um sinal da pouca evolução científica nesta área ao longo das últimas décadas.

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