6 Ago, 2018

Níveis baixos de poluição também podem causar problemas cardíacos

Um novo estudo britânico concluiu que a exposição a níveis baixos de poluição pode provocar alterações na estrutura cardíaca semelhantes aos sintomas da insuficiência cardíaca num estado inicial.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 9 em 10 pessoas respiram ar poluído. É estimado que cerca de 7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à exposição a determinadas partículas no ar que levam ao aparecimento de problemas de saúde como AVC, enfarte, cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), e outras infeções pulmonares como a pneumonia.

Neste estudo, conclui-se que as complicações de saúde geradas pela poluição não surgem só pela exposição a níveis elevados.

Os especialistas, da Queen Mary University, no Reino Unido, analisaram dados de cerca de 3900 pessoas saudáveis inscritas no estudo UK Biobank. Os participantes forneceram informação sobre o seu estado de saúde, área residencial e estilo de vida, e permitiram que os investigadores medissem o tamanho do coração, o peso e a função recorrendo à Ressonância Magnética.

Os investigadores concluíram que os participantes que viviam perto de estradas com muita movimentação e que estavam expostos a dióxido de nitrogénio [NO2] estavam mais propensos a dilatar os ventrículos esquerdo e direito.  Os autores notam, no artigo publicado na revista Circulation, que estes ventrículos são importantes para bombear sangue no coração e, embora, os participantes fossem pessoas saudáveis e sem sintomas, este tipo de restruturação cardíaca é semelhante aos estágios iniciais da insuficiência cardíaca.

“Apesar de o nosso estudo ser observacional e não ter mostrado ainda uma ligação causal, observámos alterações significativas no coração até com uma exposição a níveis de poluição baixos. Os nossos estudos futuros vão incluir dados de pessoas que moram em cidades como em Manchester e Londres, utilizando medições mais detalhas da função cardíaca e esperamos que as descobertas sejam ainda mais pronunciadas e clinicamente importantes”, afirmou o Dr. Nay Aung, autor do estudo, citado em comunicado.

“A poluição do ar deve ser vista como um fator de risco modificável. Os médicos e o público em geral precisam estar cientes da sua exposição quando pensam na sua saúde cardíaca, assim como pensam sobre sua pressão arterial, seu colesterol e seu peso.”, conclui.

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