9 Mar, 2022

Nefrologistas pedem mais atenção de doentes e médicos à doença renal

O presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia lembra que, no casos dos diabéticos, hipertensos ou insuficientes cardíacos, o risco de doença renal aumenta substancialmente.

A Sociedade Portuguesa de Nefrologia apelou aos médicos que seguem doentes diabéticos, hipertensos ou com insuficiência cardíaca a estarem mais atentos ao funcionamento dos rins, lembrando que nestes casos o risco de doença renal aumenta muito.

“Há órgãos em que os problemas são mais evidentes, como o coração ou os pulmões. Os rins são muito afetados por aquelas coisas banais que quase todos temos, mas como nada nos pode acontecer no imediato, as pessoas não estão tão alerta”, disse à Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), Edgar Almeida.

O especialista lembra que a hipertensão, a diabetes, a insuficiência renal, o tabaco e a obesidade são fatores de risco acrescido para o desenvolvimento de doença renal e apela tanto aos doentes que perguntem aos seus médicos sobre se os rins estão a funcionar bem, como aos clínicos que seguem estas pessoas que estejam mais atentos.

“Os diabéticos preocupam-se com a visão porque ela é afetada pela diabetes, mas ignoram que os rins também são afetados. (…) Com os hipertensos, os obesos, os fumadores é igual”, disse o responsável, justificando: “Não dão muita importância pois não provoca dano imediato”.

Nada nos acontece nas próximas semanas, ou meses, mas a doença [muitas vezes] está lá”, insistiu o responsável, que falava à Lusa na véspera do Dia Mundial do Rim, que se assinala na quinta-feira.

O grande problema “é que, infelizmente, nem os profissionais médicos dão o devido valor a essa lesão, que vai aparecendo nos rins, e isso preocupa-nos muito”, disse o responsável, acrescentando: “quando a doença se torna evidente já há pouco que os médicos nefrologistas possam fazer”.

Defende que o melhor para proteger os rins é o “estilo de vida saudável” – sem tabaco, com exercício físico e uma alimentação equilibrada, evitando o excesso de sal e proteínas e aumentando o consumo de vegetais – e reconhece: “Parece uma banalidade, mas é muito exigente”.

“Se, por ventura, tiver uma daquelas doenças que são bastante prevalentes [diabetes e hipertensão] devem ter uma outra preocupação junto dos seus médicos que é perguntar do bom funcionamento dos rins”, aconselhou.

Alerta ainda para o consumo de anti-inflamatórios de venda livre, lembrando que “são ótimos porque tiram as dores”, mas “têm potencial de serem tóxicos para os rins”.

“É preciso ter um consumo cuidadoso, transitório e, se possível, vigiado, o que nem sempre acontece”, acrescentou.

O presidente da SPN lembra que a doença renal, nas fases iniciais, “é muito pouco sintomática” e explicou que, na maioria das fases da doença, a pessoa não tem sintomas que possam ser diretamente atribuídos à doença renal.

“Normalmente as queixas devem-se às outras comorbilidades”, assinala, lembrando que há alguns sintomas que podem chamar mais a atenção, como o inchaço nos tornozelos, o aparecimento de espuma na urina ou os olhos inchados, mas insiste: “são tão inespecíficos que é difícil associar à doença renal”.

Quando já há muito sintomas, “a situação normalmente é grave”, avisa.

No âmbito do Dia Mundial do Rim, foram igualmente divulgados os dados preliminares de um estudo à população portuguesa sobre o conhecimento da doença renal crónica, que envolveu a Escola Nacional de Saúde Pública, e que indica que uma em cada três pessoas não sabe que o rim produz urina, uma das suas principais funções.

Os dados revelam que 32,5% dos inquiridos consideram que os rins não produzem urina e para 45,4% os rins têm a tarefa de ajudar a manter os níveis normais de açúcar no sangue, quando de facto não o fazem.

Indica ainda que 37% respondem de forma errada ou desconhecem que os rins não auxiliam a manter a tensão arterial normal, que 47,3% identificam, erradamente, como tarefa do rim a degradação das proteínas no organismo e que 27,4% não sabem que os rins auxiliam na manutenção de ossos saudáveis.

Os dados preliminares mostram ainda um grande desconhecimento sobre a relação entre a doença renal crónica e as doenças cardiovasculares: 55,3% erram ou não sabem que a insuficiência cardíaca ou o enfarte são um fator de risco da doença renal crónica e 45% erram ou não sabem que as doenças cardiovasculares são uma consequência.

No âmbito do Dia Mundial do Rim, a APIR – Associação Portuguesa de Insuficientes Renais e a Sociedade Portuguesa de Nefrologia, com o apoio da AstraZeneca, vão lançar uma campanha para alertar os portugueses para esta doença e para a necessidade de se atuar precocemente.

Também a propósito do Dia Mundial do Rim, a Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) vai lançar um livro com vários testemunhos de vida de doentes renais.

LUSA

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