Médico espanhol afirma que Portugal “está muito à frente da UE” em terapias complementares

Cristobal Fraga, médico e especialista espanhol em medicinas naturais, considera que Portugal está à frente de muitos países da União Europeia relativamente à prática de terapias complementares como a Medicina Chinesa.

Em declarações à agência Lusa à margem das jornadas de divulgação “Terapias integrativas e complementares: um desafio a concluir”, que decorreram nos dias 2 e 3 de março, na Universidade Católica do Porto, Cristobal Fraga elogiou a recente decisão do Governo de criar a licenciatura de Medicina Tradicional Chinesa nas faculdades nacionais.

Citando o exemplo espanhol, revelou que há cerca de 20 anos “tentou-se regulamentar, mas não tão bem como em Portugal, o lecionar de medicinas naturais, a chinesa, a homeopatia e a naturopatia”, num processo que regrediu depois de nos “últimos quatro ou cinco anos começar a haver uma enorme controvérsia a partir de médicos que questionaram a eficácia das terapias complementares, incluindo a medicina chinesa”.

“Nisto, Portugal está à frente de muitos países da União Europeia porque há anos implementou a prática de certas técnicas, coisa que no centro da Europa há muito tempo que ocorre”, elogiou o investigador espanhol. Considerando que Portugal tem uma “oportunidade quase única de se colocar à frente de muitos países europeus” depois de “homologar a docência da medicina chinesa”, o médico descreveu-o como “um feito histórico”. Fazendo a apologia de que o futuro passa por “aumentar e aplicar estas terapias”, Cristobal Fraga elegeu como problema o facto de serem terapias ainda pouco conhecidas, o que faz com “ainda haja quem pense que se trata de bruxaria”.

“Argumentar que não está comprovado cientificamente é falso”, vincou, lembrando que é médico e que trabalhou na “faculdade de medicina como investigador” e que embora os “milhares de estudos” permaneçam desconhecidos da maioria das pessoas, “quase tudo está publicado sobre homeopatia, medicina chinesa e naturopatia”.

Aludindo ao “investimento de milhões de dólares nesta investigação” pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América, Cristobal Fraga perguntou “como é possível um estudante de medicina não saber nada de nutrição ou de fitoterapia?” Ou como pode um médico recomendar a acupuntura, “mas não saber nada dela?”.

“Acredito que no espaço de uma década este problema estará resolvido”, manifestou o médico galego para quem, conversas com colegas do centro da Europa e dos Estados Unidos, demonstraram que o que está a “acontecer em Portugal passou-se lá há 20 anos”.

“Ou seja, Portugal, Espanha e o sul da Europa somam 15 anos de atraso”, acrescentou. Cristobal Fraga foi durante 25 anos coordenador do mestrado de Medicinas Naturais na Universidade de Compostela, na Galiza.

LUSA/SO

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