Medicina personalizada. Merck aposta em biomarcadores

A Merck, fundada em 1668, é a empresa farmacêutica mais antiga do mundo. Em entrevista, Pedro Moura afirma que o contributo da empresa no país na vertente de healthcare “tem sido assente em três pilares – criar vida, prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida –, refletindo a estratégia e a ambição a nível global”.

A Merck está em Portugal há mais de oito décadas, desde 1934. Qual tem sido o contributo desta empresa no país?

O crescimento da Merck global, desde a aquisição da empresa de biotecnologia Serono em 2006, tem sido fundamentalmente orgânico, baseado num conjunto de soluções que designamos core business, onde distinguiria a área cardiometabólica, o tratamento da infertilidade e a aposta em imuno-oncologia e em imunologia.

Sabendo que a diabetes e a doença cardíaca são os dois principais pilares de comorbilidade e mortalidade associada em Portugal, sermos uma empresa de referência na área cardiometabólica é já de si sintomático do papel que a Merck desempenha no nosso país.

Já na área do tratamento da infertilidade, sempre muito acarinhada e na qual somos líderes em Portugal, não nos cansamos de com muito orgulho lembrar o papel da Merck, através de uma oferta abrangente desde opções terapêuticas a devices, no suporte ao processo de parentalidade, ajudando a criar vida que se traduz em cerca de 1.100 novos bebés por ano. Isto é absolutamente fantástico num país que tem uma das piores taxas de natalidade da União Europeia e reflete uma necessidade de milhares de indivíduos que querem abraçar o processo de parentalidade e vencer os obstáculos levantados por fatores que não dominam.

Dentro da área da inovação, temos apostado em lançamentos na área de imuno-oncologia e de imunologia. Associado ao aprofundamento da vertente de imuno-oncologia, dentro da área oncológica, em que estamos bem estabelecidos, a Merck está a apostar na determinação de biomarcadores, em linha com a medicina personalizada, para identificar que doentes podem beneficiar mais com determinadas terapêuticas, maximizando os benefícios do tratamento e evitando expor a efeitos adversos indesejáveis e custos desnecessários aqueles que por antecipação serão identificados como não respondedores à terapêutica. Quanto à área de imunologia, que abarca um conjunto de doenças degenerativas muito impactantes e que afetam pessoas muitas vezes em idades precoces, a Merck foca-se em trazer soluções na área da esclerose múltipla, onde temos um produto de referência há muitos anos e outro lançado recentemente que constitui um novo paradigma no tratamento desta doença.

O que diferencia a Merck?                                                                                                                                      

A Merck é uma empresa farmacêutica única em várias vertentes. Primeiro, é a mais antiga do mundo, com 352 anos. Em segundo lugar, continua a ser detida maioritariamente pela família que deu origem à companhia, a família Merck, já com elementos na 13ª geração. Como terceiro fator, a área de healthcare, embora represente a esmagadora maioria do negócio em Portugal, não é – em termos globais – o elemento único ou dominante, representando menos de 50% da faturação total do grupo. Isto porque temos ainda duas outras áreas, life sciences e performance materials, que desempenham um papel absolutamente determinante na performance da Merck enquanto organização.

O que motivou a expansão para outras áreas de negócio?

A visão da Merck passa por colocar a curiosidade ao serviço do bem comum, que não se esgota na saúde, mas num conjunto de soluções tecnológicas que aliadas ou não à saúde contribuem para um bem maior para a humanidade. Na área performance materials temos um sem número de ativos que muitos desconhecem, desde cristais de lítio em smartphones, tecnologia LED em ecrãs televisivos, até vernizes, cosméticos, tintas, materiais inteligentes, vidros que escurecem consoante a exposição solar. Através da área live sciences produzimos materiais – filtros, reagentes, etc. – com os quais a maioria das empresas farmacêuticas equipa os seus laboratórios de healthcare.

É fácil inovar em Portugal?

Eu diria que sim, que é fácil. Acredito que Portugal tem todas as condições para inovar e acho uma pena quando pessoas com responsabilidades referem só os constrangimentos e os desafios. Pelo contrário, vejo todas as condições criadas para que investidores e jovens talentosos possam desenvolver os seus projetos e as suas ambições em Portugal. Depende das pessoas e da curiosidade científica e tecnológica, que são determinantes. Tendo boas ideias, vontade e empreendedorismo, não vão faltar recursos.

Em Portugal, temos dos melhores cientistas e profissionais de saúde e de áreas tecnológicas e das melhores e mais reconhecidas escolas a nível de ensino técnico e científico do mundo. Tendo a componente de formação e a de skills adquiridas, incluindo indivíduos com experiências no exterior, temos condições para avançar.

A própria Merck global tem entregado à Merck Portugal um conjunto alargado muito significativo de projetos de investigação científica. Temos cada vez mais ensaios clínicos de fases mais iniciais no desenvolvimento de novas moléculas, novas substâncias ativas e novas opções terapêuticas e temos de nos regozijar com isso.

A Merck apoia o “Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais”. O que motiva este apoio?

Este apoio insere-se na parte de responsabilidade social da Merck. Apesar de já terem um estatuto – foi um bom primeiro passo –, os cuidadores informais continuam a ser muito incompreendidos, desacompanhados e a não ter o suporte necessário. E estes cuidadores nem sempre são os mais novos a tratar dos mais velhos; também temos pais e avós a tratar de filhos e netos com determinadas patologias e malformações. É brutal o impacto que isto tem na vida das pessoas, do ponto de vista psicológico, relacional e profissional.

Para a Merck é um privilégio apoiar este movimento. Como prova da materialização deste apoio, arrancámos oficialmente com um workshop online a 25 de junho, com mais de uma dezena de associações, para auscultar as necessidades dos doentes e cuidadores, no sentido de sensibilizar numa fase seguinte os policemakers para a criação de condições de que todos, direta ou indiretamente, vamos poder um dia beneficiar. O feedback que recebemos foi muito bom e pretendemos contribuir para o avanço e a implementação de projetos concretos durante o ano corrente e 2021. Estamos muito orgulhosos disto porque não é uma bandeira ou um melhor desejo, mas algo concreto que estamos a ajudar a criar.

SS/SO

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