10 Fev, 2020

Mais de 800 mulheres aguardam resposta do SNS para PMA

Doações aumentaram no ano passado, mas no serviço púbico a espera para técnicas de PMA pode chegar aos três anos.

Mais de 800 mulheres aguardam resposta do SNS para PMA

Em Portugal, há 814 casais ou mulheres solteiras em lista de espera para a realização de técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) por falta de dadores de óvulos e espermatozoides. As dádivas subiram em 2019, quando o Banco Público de Gâmetas recebeu 45 doações, mas continuam a ser insuficientes para a elevada procura no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Segundo avança o Jornal de Notícias de hoje, 10 de fevereiro, a espera para PMA no serviço público chega aos três anos, estando os pedidos de 2017 a receberem agora resposta.

Carla Rodrigues, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), referiu ao diário que “as enormes listas de espera do SNS” contrastam com a rapidez dos centros privados. “Os centros privados não têm necessidade de gâmetas, até estão com excedentes. Mas aí, os tratamentos só são acessíveis com possibilidades económicas”.

Aliás, a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) fez um levantamento das dádivas em Portugal em 2018 e concluiu que, de 850 dádivas, apenas 37 foram feitas ao banco público.

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SNS com falta de recursos humanos

Até ao início de 2020, só o Centro Hospitalar do Porto e o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra faziam recolhas. Em janeiro, reabriram as colheitas em Lisboa. Segundo Pedro Xavier, presidente da SPMR, “as razões para a diferença abismal das doações no privado e no público não são só geográficas”.

Nos bancos públicos, o agendamento de consultas e procedimentos é lento. Os centros públicos têm constrangimentos, nem sempre há médico disponível. E as pessoas acabam por ir aos privados.” Pedro Xavier diz que, segundo a lei, os centros privados devem tentar fazer face à escassez de outros centros nacionais disponibilizando gâmetas. “Há bancos privados que já mostraram disponibilidade, mas depende da vontade do Banco Público em adquirir”.

Doações aumentam em 2019

O acórdão de 7 de maio de 2018 do Tribunal Constitucional, que definiu que nenhum dador é anónimo em Portugal, afetou e abrandou os tratamentos. Houve menos 42 do que em 2017, quando foram 77.

“A normalidade é a insuficiência de gâmetas. E a tendência para a infertilidade é cada vez maior”, avisa Cláudia Bancaleiro, da Associação Portuguesa de Fertilidade, que aponta o dedo ao Governo: “Há total desinvestimento nesta área. Erguem a bandeira da natalidade, mas os incentivos são praticamente inexistentes”.

Apesar do fim do anonimato, em 2019 subiram as doações (45 face a 37 era 2018) e os tratamentos com gâmetas doados: 61 no SNS, mais 26 que em 2018. A campanha da SPMR “Dá Vida à Esperança” contribuiu e a reabertura do centro de em Lisboa poderá ajudar. “Mas não vai ter impacto imediato. Há exames e consultas que podem excluir candidatos. O processo de doação demora, no mínimo, quatro meses”, explica Pedro Xavier.

O SNS depara-se, sobretudo, com dificuldades de recrutamento nos dadores homens. Segundo Pedro Xavier, no serviço público há quase 500 mulheres à espera de gâmetas masculinos e 320 à espera de gâmetas femininos.

Outro entrave identificado pelo especialista é a idade já que no SNS a idade limite para a mulher iniciar os tratamentos é de 40 anos. Nessa medida, a SPMR defende a extensão da idade: “Há imensas mulheres que perdem a oportunidade por causa do tempo de espera. Se iniciam o processo aos 38 anos, acabam por ficar excluídas. A alternativa é o privado ou desistir do sonho”.

SO/JN

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