31 Jul, 2018

Mais de 200 doentes já podem levantar medicação para o VIH fora do hospital

Já são mais de 200 as farmácias que receberam a formação necessária para poderem entregar medicação para o VIH. Ministério da Saúde pretende alargar a medida, que poupa tempo aos doentes, a todo o país até ao final do ano.

Está a descentralizar-se a dispensa de medicamentos para o VIH. Atualmente são já 119 os doentes que vão buscar os fármacos a farmácias comunitárias – em vez de se deslocarem ao hospital – e outros 127 vão começar a fazer o mesmo em breve, avança o jornal Público. O projeto-piloto está, para já, circunscrito ao Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) mas o objetivo do Ministério da saúde é alargar esta medida a todo o país até ao final deste ano.

Para além destes 246 doentes, pelo menos mais 62 pessoas, que estão a ser seguidas no CHLC, já terão mostrado interesse em começar a levantar a medicação numa das 201 farmácias que já receberam – até este momento – a formação da Ordem dos Farmacêuticos para poderem entregar os fármacos para o VIH. Os dados são avançados pelo Infarmed, que adianta ainda que 60% dos doentes contactados querem recolher a medicação nas farmácias.

Os resultados [do estudo piloto] são tão animadores, que já estamos a trabalhar sobre as alterações legislativas e operacionais que são necessárias fazer para alargar a medida ao país todo. Vamos ter na próxima semana uma reunião com o secretário de Estado para estudar as medidas legislativas de alteração”, disse ao Público Sofia Oliveira Martins, vogal do conselho directivo do Infarmed.

 

Menos tempo perdido

 

Os doentes demoram menos meia hora quando vão buscar os medicamentos às farmácias, em vez de irem ao hospital, revela um estudo feito com 43 pacientes habitualmente seguidos no hospital Curry Cabral, em Lisboa, e que passaram a ir levantar a terapêutica para o VIH em 29 farmácias perto dos locais onde residem. Para além da poupança de tempo que a mudança representa, metade dos doentes passou a ir buscar os fármacos a pé, tendo o tempo da deslocação diminuído de 46 para 12 minutos, em média.

Também o tempo de espera diminuiu muito  – de 16 minutos nos hospitais para apenas 5 minutos nas farmácias -, e os níveis de satisfação aumentaram substancialmente no atendimento em geral. Sofia Oliveira Martins garante que “a adesão manteve-se, a satisfação com o serviço é elevada e o controlo da infecção também se mantém estável”. Os medicamentos anti-retrovirais já são dispensados nas farmácias comunitárias em diversos países, nomeadamente Itália, França, Bélgica, Reino Unido, Suécia, Canadá e Austrália.

Os últimos dados disponíveis, de 2016, apontam para 34 mil portadores de VIH. Destes, 31 mil estavam a ser tratados com anti-retrovirais. Um número que já permitiu a Portugal atingir aquela que era uma das metas para controlo da infeção definidas pela ONU: ter 90% dos doentes diagnosticados em tratamento. Com esta medida, o governo pretende facilitar (ainda mais) o acesso à terapêutica e elevar a fasquia o mais possível para próximo dos 100% de cobertura. Contudo, e apesar da evolução registada na última década, Portugal continua a ter um número de diagnósticos tardios superiores à da União Europeia.

Saúde Online

 

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