22 Jan, 2021

Já há hospitais a fazer medicina de catástrofe, diz bastonário dos médicos

"Hospitais já estão a deixar internados apenas os doentes mais graves", diz Miguel Guimarães, com os restantes a serem acompanhados em casa.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, alertou, no parlamento, que já há hospitais a fazer medicina de catástrofe, segundo testemunhos de profissionais de saúde.

“Existem neste momento hospitais do país em que a medicina de catástrofe já está a ser feita”, afirmou Miguel Guimarães durante uma audição na comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social.

“Este é o testemunho dos médicos e dos outros profissionais de saúde sobre o que está a acontecer no terreno”, afirmou Miguel Guimarães na audição conjunta por videoconferência com a bastonária do Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco.

O bastonário da OM relatou aos deputados o que está a acontecer nos hospitais devido ao aumento exponencial de doentes. “São as ambulâncias à porta com doentes graves para entrarem que não têm sequer espaço para entrar, é a falta de profissionais de saúde para ver mais doentes ao mesmo tempo”, mas, afirmou, “é impossível o médico estar a ver três ou quatro doentes ao mesmo tempo”.

“Tem que se ter cuidado para não se cometer erros, tem que se tomar decisões sobre internamentos, se o doente fica internado ou não, se é transferido para outro hospital. Também tem de se tomar decisões sobre os cuidados intensivos, porque as camas de facto são escassas, e hoje há cerca de 700 doentes internado com covid-19”, disse.

 

Profissionais tentam cumprir regras mas muitos doentes não são tratados da forma ideal, diz bastonário

 

Miguel Guimarães lembrou ainda que “há um conjunto enorme de doentes com doenças graves prioritárias sem ser covid-19 que também precisam também de cuidados intensivos”.

“Há decisões a tomar relativamente a tratamentos alternativos que se possam fazer”, como em vez de usar um ventilador invasivo, usar um ventilador não invasivo ou usar oxigénio de alto fluxo, sendo que “muitas vezes não é o tratamento ideal para os doentes, mas as pessoas que estão no terreno fazem tudo, tentam cumprir as regras todas”, frisou.

Questionado sobre os hospitais de campanha, Miguel Guimarães disse que podem servir para tratar doentes com doenças menos graves ou que não podem estar em casa, o que pode ser uma ajuda para aliviar a pressão sobre os internamentos hospitalares.

Os hospitais já estão a deixar internados apenas os doentes mais graves, ou seja, doentes que eram internados em abril, neste momento não estão a ser internados e ficam a ser acompanhados no seu domicílio”, referiu.

Na audição, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros alertou para o estado de exaustão dos profissionais, afirmando que “há enfermeiros a trabalhar há 30 dias seguidos sem uma única folga e que não conseguem ter tempo para comer”.

“Os enfermeiros não fazem milagres e não chegam para toda a gente, nem eles nem os assistentes operacionais, que são também muito importantes para nós porque são estas duas classes profissionais essencialmente, com respeito por todas as outras, que estão em grande esforço”, disse Ana Rita Cavaco.

A OE teve de tomar “uma decisão difícil”, de emitir “um documento que sirva de atenuante de responsabilidade civil disciplinar e criminal” para o que está a acontecer no âmbito do combate à pandemia, “porque cinco enfermeiros não chegam para 100 pessoas numa urgência e há que ter alguma coisa que os proteja”.

A bastonária disse ainda que a OE tem estado a fazer um levantamento dos enfermeiros disponíveis no mercado a pedido do próprio Governo, mas

LUSA

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