27 Mar, 2018

Internistas e médicos de família unidos contra medidas que incluem novas especialidades

Os internistas e os médicos de família vão assinar um memorando de entendimento em que espelham algumas posições que os unem, como a oposição contra a criação de novas especialidades e a municipalização dos cuidados de saúde.

O memorando vai ser assinado quarta-feira entre a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e envolve áreas como a formação, a referenciação, a promoção da saúde e a prevenção das doenças, as normas de orientação clínica e a investigação, entre outras.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da SPMI, Luís Campos, deu o exemplo de algumas medidas concertadas entre a medicina interna e a medicina geral e familiar, como a oposição contra a criação de novas especialidades. Numa altura em que são conhecidas ambições dos cuidados paliativos, da geriatria e da emergência para obterem a classificação de especialidade, Luís Campos alertou que mais especialidades irão agravar ainda mais a fragmentação das áreas. “Deve haver áreas de competência, mas não novas especialidades”, referiu.

O progressivo “envelhecimento da população”, a que se junta a “agudização das doenças crónicas”, reforça, garante Rui Nogueira, a necessidade de uma relação privilegiada entre as duas especialidades, que se quer fazer também sentir ao nível da formação médica. Por isso, aumentar a cooperação na área da formação, assim como a referenciação entre especialidades, são dois outros dos objetivos deste entendimento.

As duas organizações também estão contra a potencialização da municipalização dos cuidados primários. “Significa o fim do SNS. É fragmentar e dividir mais o que já é difícil e precisa de ser integrado”, disse. Desta iniciativa entre a SPMI e a SPMGF irá sair um grupo de trabalho conjunto que irá fazer propostas sobre a gestão do doente agudo, estando prevista a apresentação de recomendações até ao fim do primeiro semestre do ano.

A assinatura do memorando decorre amanhã, no Auditório da Universidade Nova de Lisboa, entre as 18h e as 20h30.

SO

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