Inovação do Pedro Hispano e IPO Porto conquistam distinção Kaizen Lean

No mês de abril decorreu a cerimónia de entrega dos prémios Kaizen Lean, atribuídos às empresas portuguesas que se destacaram num contexto de excelência e melhoria contínua. Na categoria ‘Saúde’, o Hospital Pedro Hispano venceu o primeiro prémio e o IPO Porto foi reconhecido com uma menção honrosa. O SaúdeOnline falou com representantes das duas instituições para conhecer os seus projetos, estratégias e desafios.

ULSM, Prémios Kaizen Lean 2017

Atualmente, o bom funcionamento das instituições de saúde está dependente de diversos fatores, incluindo da sua capacidade de inovação de modo a beneficiar tanto utentes como colaboradores. É o caso do IPO Porto com o seu projeto Bem-me-ker-online, uma plataforma digital disponível para os seus utentes, que lhes permite efetivar a sua presença, consultar eventos agendados, fazer download de exames, aceder a um chat para obter informações, recolher declarações de presença, entre outras funções.

“Tendo em conta que os nossos doentes são provenientes das mais diversas regiões do País e do mundo para nós fundamental encurtar distâncias e dotá-los de autonomia para, à distância de um clique, terem acesso a informação/solicitações que de outra forma implicaria deslocações e tempos de espera”, explica Rita Veloso, Diretora do Serviço de Gestão de Doentes do IPO do Porto. “Por outro lado, ao colocar a tecnologia ao serviço do doente, os nossos colaboradores passam a estar mais “livres” para realizarem outro tipo de tarefas que envolvem uma maior humanização, tomada de decisão e gestão de conflitos”, acrescenta.

Para o Hospital Pedro Hispano, Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), a estratégia também passa por favorecer tanto a unidade como os seus utentes através do desenvolvimento de uma cultura organizacional com base na filosofia Lean. Vítor Herdeiro, Presidente do Conselho de Administração, falou um pouco ao nosso jornal sobre o projeto desenvolvido, que consistiu na “otimização, integração, normalização e desmaterialização da cadeia interna de abastecimento da ULSM”. Foi crucial a criação de uma equipa multidisciplinar que envolvesse o Serviço de Compras, o Serviço de Logística e os Serviços Farmacêutico focada no mapeamento e na identificação de oportunidades de melhoria, elaborando planos de ação e de acompanhamento de forma a que esta possa implementada.

Desta forma foi possível à USLM melhorar o nível de serviço da cadeia de abastecimento e reduzir o desperdício e o tempo de resposta. “Hoje conseguimos expedir mais rapidamente e melhor, tendo sido alcançadas uma taxa de erro inferior a 2%, a eliminação dos tempos de espera nas cargas das viaturas (2 horas/dia), bem como desmaterializámos o processo, garantindo controlo em tempo real do mesmo, monitorizámos os indicadores críticos a este nível, integrámos no Serviço de Logística vários processos de distribuição, até aqui geridas por diferentes equipas e serviços, e reduziu-se em 36% o tempo despendido na resolução de receções não conformes de materiais”.

Por sua vez, o IPO do Porto, com a sua aposta tecnológica, já regista 9000 utentes no Bem-me-ker-online, uma média de 1376 acesso diários e mais de 800 contactos através do chat [à data desta entrevista]. “Foram já mais de 2000 pedidos realizados nesta ferramenta evitando a deslocação dos doentes ao IPO. É assim previsível que o IPO Porto deixe de enviar 60 mil cartas anuais, o que representa uma redução de 30 mil euros anuais em consumíveis. Serão poupadas mais de 3000 horas de colaboradores, o que representa cerca de 20 mil euros por ano”, explica Rita Veloso.

A restrição financeira é apontada pelos dois entrevistados como um dos principais obstáculos à inovação na área da saúde. Rita Veloso considera que “o grande desafio é conseguir ultrapassar os constrangimentos orçamentais que têm sido impostos ao financiamento do SNS não pondo em causa a sua sustentabilidade”. Contudo, são essas dificuldades económicas que podem gerar a mudança e, consequentemente, a inovação. É exemplo o Hospital Pedro Hispano, cuja revisão da cadeia de abastecimento foi impulsionada pela necessidade de se adaptar às condições atuais.

Vítor Herdeiro acredita que “a introdução de soluções de produtividade e a redução de desperdício são assim o melhor caminho para o aumento da acessibilidade, em paralelo com uma gestão cuidada e facilitada da comunicação e relação com o utente, que promova níveis de satisfação mais elevados, sem aumento de custo”.

O foco no utente é a prioridade para ambas. O trabalho desenvolvido à volta desse objetivo com a implementação de projetos que promovam a sustentabilidade e a proximidade com o doente valeu ao Hospital Pedro Hispano o primeiro prémio Kaizen Lean e uma menção honrosa ao IPO do Porto, colocando estas duas instituições como referências nacionais no âmbito de melhoria contínua no setor da saúde.

SaúdeOnline

 

Imagem: Kaizen Insitute

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