HPV Clinical Cases. “Reunião mostra que o HPV não é só cancro do colo do útero”

Está a decorrer a submissão de casos à 2ª edição do HPV Clinical Cases. O médico pediatra do Hospital D.Estefânia salienta a importância da vacinação na prevenção de vários tipos de neoplasias, para além do cancro do colo do útero.

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Quais os grupos mais afetados pela infeção por HPV?

As mulheres são mais afetadas por esta infeção. O cancro do colo do útero não surge na adolescência, demora alguns anos a instalar-se. Em relação às verrugas, são tão frequentes no homem como na mulher. Os condilomas genitais são as lesões mais comuns em crianças associadas ao HPV.

Qual a importância da vacinação na prevenção de neoplasias associadas ao HPV?

A vacina dá uma proteção quase total para os grupos de HPV envolvidos. Não cobre todos os tipos mas cobre a maior parte, por isso é muito eficaz. Previne 80% dos casos de neoplasias provocadas pelo HPV.

A vacina surgiu com um grande objetivo, o cancro do colo do útero e erroneamente continua a associar-se ao cancro do colo do útero. Há várias neoplasias que podem ser prevenidas com a vacina: da região oral, da região da orofaringe, das vias respiratórias, da região vulvar e anal, do cancro do pénis provavelmente.

O HPV só se transmite por via sexual?

O HPV está associado a uma transmissão sexual mas, no caso da pediatria, muitas vezes acontece por transmissão vertical, aquando do parto. Estes casos são graves, que levam muitas vezes à morte por insuficiência respiratória. O tratamento é meramente paliativo: vão-se removendo os condilomas mas eles vão crescendo de novo, implicando várias intervenções cirúrgicas. Nos últimos tempos, têm surgido indicações de que a vacinação contra a o HPV pode diminuir a necessidade de cirurgias e de recidivas. São casos relativamente raros.

Até que ponto faz sentido o alargamento da vacinação aos rapazes?

Faz sentido porque, em termos de controlo epidemiológico, é essencial que se vacine toda a gente, porque senão não se consegue alcançar a imunidade de grupo. Se só temos as meninas vacinadas, o vírus continua em circulação. Como nunca há 100% de vacinação, para impedir que o vírus circule, têm de se manter todos vacinados.

As lesões provocadas pela infeção nos rapazes são raras?

São menos frequentes. No entanto, a carga da doença no sexo masculino é surpreendentemente alta.

Que expectativas tem para esta 2ª edição dos HPV Clinical Cases?

Espero que se mantenha o sucesso da primeira. Esta reunião tem a particularidade de mostrar que o HPV não é só cancro do colo do útero nem lesões na mulher na região genital. Na primeira edição, apareceram casos clínicos muito diferentes uns dos outros, afetando várias regiões. Quando apresentamos um caso clínico, é algo mais palpável, mais concreto. Muitas vezes, aprende-se mais na prática.

TC/SO

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