Hospital da Ilha Terceira dá passo decisivo para criar unidade de hemodinâmica
A reabertura da unidade de cuidados intermédios cardíaca no Hospital da Ilha Terceira marca o primeiro passo para a criação de uma unidade de hemodinâmica, que permitirá realizar procedimentos como angioplastias primárias e reduzir evacuações médicas para outras ilhas.

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT), nos Açores, reabriu segunda-feira deste semana a unidade de cuidados intermédios cardíaca, um avanço considerado estrutural para a melhoria da resposta aos doentes cardíacos e para a futura criação de uma unidade de hemodinâmica, segundo o diretor do serviço de cardiologia.
“Temos a expectativa óbvia e natural, já anunciada no ano passado, de vir a realizar aqui angioplastia primária, o que exige uma sala de hemodinâmica capaz de servir várias especialidades”, afirmou João Paisana Lopes, em declarações aos jornalistas.
Com uma unidade de hemodinâmica instalada no HSEIT, será possível desobstruir artérias nas primeiras horas em caso de enfarte, evitando o transporte aéreo de doentes para o Hospital do Divino Espírito Santo, em São Miguel.
O hospital já lançou o concurso para a aquisição de um angiógrafo, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Atualmente, o serviço de cardiologia conta com quatro médicos, que ainda não têm competências para realizar coronariografias.
Segundo o diretor do serviço, está prevista a contratação de hemodinamistas seniores, dando prioridade aos profissionais que já trabalham em São Miguel. A expectativa é que a unidade de hemodinâmica possa abrir ainda em 2026, possivelmente mais cedo do que o inicialmente previsto.
Apesar disso, João Paisana Lopes sublinha que a reabertura da unidade de cuidados intermédios cardíaca já representa “um grande salto em frente”, com impacto direto na redução da mortalidade e morbilidade associadas à doença cardíaca.
A unidade, que existia no antigo hospital mas foi descontinuada com a mudança para o novo edifício em 2012, conta agora com sete camas e permite a monitorização permanente dos doentes. Recebe o nome de Coelho Gil, responsável pela criação da primeira unidade de cuidados coronários na ilha Terceira.
A nova resposta é também vista como um fator de atração e fixação de cardiologistas. “Saber que existe um projeto de diferenciação, onde é possível tratar e diagnosticar melhor os doentes, é determinante para cativar profissionais”, salientou o cardiologista.
Também a secretária regional da Saúde e Segurança Social dos Açores, Mónica Seidi, defendeu que a diferenciação é essencial para o futuro do hospital e admitiu que a nova unidade permitirá reduzir cerca de 20 evacuações médicas por ano para fora da ilha.
O angiógrafo é um dos equipamentos a adquirir para o HSEIT no âmbito do PRR, num investimento global de cerca de três milhões de euros previsto para 2026.
LUSA/SO
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