20 Jan, 2020

Hospitais de Coimbra querem encurtar espera na urgência com deteção de hemólise

O CHUC está a desenvolver um projeto de melhoria da qualidade assistencial no serviço de urgência, que visa a deteção de hemólise no sangue.

“As pessoas não têm muita ideia, mas uma em cada 10 amostras que se colhem, por exemplo, vão resultar numa amostra que não será útil e obriga a nova colheita, aumentando o tempo de espera do doente para tratamento”, explicou Alexandre Lourenço, administrador hospitalar e assessor do conselho de administração.

O objetivo do projeto é criar uma forma de detetar imediatamente na colheita se o sangue está em condições para realizar a análise, o que, nos casos em que se verifique a hemólise, resulta num ganho de “pelo menos uma hora na urgência hospitalar”.

Segundo Alexandre Lourenço, a hemólise acontece, em média, uma vez em cada 10 doentes que se encontram no serviço de urgência, obrigando atualmente à repetição da colheita de sangue para análise.

O administrador adiantou ainda que o CHUC está a desenvolver um projeto de formação de executivos na área da inovação e da gestão com a IE Business School, que “é uma das maiores escolas de gestão a nível mundial”.

O maior hospital do país está também a preparar outras candidaturas em parceria com o Instituto Pedro Nunes, para promover a ligação entre hospitais e ‘startups’, que “é também uma área bastante importante”.

“Isto tudo com várias parcerias internacionais” em que intervêm, por exemplo, hospitais da assistência pública de Paris, Hospital clínico de Barcelona, Hospitais de Oxford, que são “grandes parceiros a nível europeu”.

De acordo com o administrador, estão a ser preparadas mais de duas dezenas de candidaturas nas áreas de doenças degenerativas, como o Alzheimer, doenças crónicas respiratórias, oftalmologia e deteção precoce no cancro do pulmão.

Por outro lado, a inteligência artificial também é uma aposta do CHUC, que está a desenvolver trabalho na deteção de doenças crónicas degenerativas através de aplicações informáticas em dispositivos móveis.

Alexandre Lourenço salienta que está a ser desenvolvido um diagnóstico precoce de demências, só com passagem de imagens em telefone móvel, projetos na segurança do doente, por exemplo na atribuição da medicação ao doente, desenvolvimento de redes de cuidadores informais, rede de mãos biónicas e robotização de membros.

Ao nível das questões relacionadas com o envelhecimento, o CHUC criou uma resposta no Hospital Geral (Covões), que está numa fase inicial, com 26 camas e áreas de reabilitação cardíaca e respiratória, através de um novo modelo de prestação de cuidados baseado no acompanhamento diferenciado dos doentes.

“Começou-se a fazer um novo modelo de prestação de cuidados, com o objetivo de que os doentes com mais de 65 anos que entrem na urgência tenham um internamento muito reduzido, na ordem de 5/6 dias, e depois sejam libertados para a comunidade em parceria com os cuidados de saúde primários”, explicou Alexandre Lourenço.

“O nosso objetivo é reduzir quase em metade o tempo de internamento e o doente não perder a sua autonomia durante o tempo em que está internado”, acrescentou.

O CHUC assume-se líder nacional no setor da inovação em saúde, com vários projetos em curso, além de integrar 10 redes europeias de referenciação em doenças raras reconhecidas pela Comissão Europeia.

“Nós somos dos hospitais a nível europeu com maior pertença a redes de referenciação. Para se ter ideia, o segundo hospital português integra três ou quatro redes, enquanto nós temos dez neste momento”, salientou Alexandre Lourenço.

Segundo o responsável, o CHUC é, a nível europeu, um dos maiores com presença nas redes europeias, num conjunto de áreas muito distintas, que vão desde a transplantação à visão.

SO/LUSA

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