5 Mai, 2025

Hipertensão pulmonar. Cardiologistas alertam para diagnóstico tardio e apelam a centros especializados

No Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar, que se assinala hoje, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) lança um alerta: “o diagnóstico tardio desta doença complexa, e muitas vezes fatal, continua a ser um problema grave em Portugal.”

Hipertensão pulmonar. Cardiologistas alertam para diagnóstico tardio e apelam a centros especializados

“É crucial que exista um maior conhecimento da hipertensão pulmonar e que o acesso a centros especializados seja facilitado, de forma a melhorar a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes”, alerta, em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

Rui Plácido, cardiologista e vogal do Grupo de Estudos de Hipertensão Pulmonar da SPC, afirma que “o diagnóstico precoce e o acesso a centros especializados são a chave para salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos doentes com hipertensão pulmonar. Precisamos de mais consciencialização e de um sistema de saúde que responda às suas necessidades.”

A Sociedade apela, ainda, aos médicos de família para que estejam mais atentos aos sintomas desta patologia e que encaminhem os doentes suspeitos para centros especializados.

A hipertensão pulmonar consiste num aumento da pressão nos vasos sanguíneos dos pulmões, podendo ser causada por diversas doenças cardíacas, respiratórias ou sistémicas. “Estima-se que até 1% da população possa apresentar esta patologia, frequentemente associada a outras comorbilidades”, segundo informa a SPC.

Dentro do espectro da hipertensão pulmonar, destaca-se a hipertensão arterial pulmonar (HAP), uma doença rara, progressiva e potencialmente fatal, resultante de alterações nas paredes das pequenas artérias pulmonares. Afeta pessoas de todas as idades, mas existe maior incidência em mulheres jovens, sendo geralmente diagnosticada por volta dos 36 anos. No nosso país, estima-se que, atualmente, haja mais de 300 doentes em tratamento.

Os sintomas da hipertensão pulmonar, incluindo a HAP, incluem falta de ar, fadiga, tonturas, desmaios e inchaço nas pernas. Sendo uma sintomatologia muito inespecífica, facilmente confundida com outras patologias, o diagnóstico tende a ser já numa fase mais avançada.  “Estima-se que o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico possa ser de 2 anos e meio, diminuindo a qualidade de vida e a esperança de vida dos doentes.”

A SPC realça, ainda, que a gravidez é contraindicada em mulheres com HAP, dada a sobrecarga adicional que impõe ao sistema cardiovascular. Além disso, “trabalhar com uma condição médica debilitante, como a HAP, pode ser extremamente desafiador, exigindo adaptações contínuas”, enfatiza. Atualmente, estima-se que cerca de 50% dos doentes com HAP não conseguem manter o emprego, devido à gravidade da doença.

Maria João Garcia

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