20 Abr, 2022

Hipertensão arterial e dislipidemia. Qual o impacto das decisões terapêuticas no RCV?

Mais do que tratar e controlar a hipertensão arterial e a dislipidemia, o principal objetivo ao instituir terapêutica a estes doentes deve ser o de diminuir o risco cardiovascular, advoga o cardiologista Carlos Aguiar.

O risco cardiovascular (RCV) na população portuguesa constitui um sério problema de saúde pública.  A hipertensão arterial (HTA) e a dislipidemia, para além de altamente prevalentes, andam amiúde “de braço dado”, contribuindo de forma inequívoca para a morbimortalidade em Portugal. Saliente-se que sozinha, a HTA é a patologia com maior peso na mortalidade global.

Perante este contexto, e nestes doentes, qual é então o impacto das decisões terapêuticas? Uma questão a que o cardiologista Carlos Aguiar procurou responder, num simpósio promovido pela Tecnimede no âmbito do 39.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar (MGF).

Moderada pelo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, a sessão contou com o recurso ao televoter por parte da assistência, o que permitiu uma dinâmica bastante interativa. O objetivo, adiantou o dirigente da APMGF, foi uma partilha das novidades em termos de RCV, bem como das mais recentes guidelines no tratamento das doenças cardiovasculares, “na perspetiva do doente, que é aquela que mais interessa à MGF”.

Durante este simpósio, o cardiologista do Hospital de Santa Cruz procurou olhar para os benefícios da prevenção cardiovascular na perspetiva da redução da morbimortalidade, bem como “tentar que cada um dos médicos de família aqui presentes sinta a força das suas intervenções terapêuticas e a diferença que estas podem fazer na vida dos doentes”.

De acordo com Carlos Aguiar, “é desejável que a intervenção médica seja rápida na identificação da doença, eficaz na proposta terapêutica e que garanta a adesão do doente”. Por outro lado, “a relação de proximidade entre médico e doente é fundamental, nomeadamente na necessária identificação dos fatores motivacionais que condicionam a aceitação e adesão terapêutica”.

Ainda segundo Carlos Aguiar, “a abordagem de casos reais com recurso a ferramentas de avaliação do estado do doente e monitorização ao longo da terapêutica, garantem um acompanhamento próximo do clínico ao doente”. Desta forma, “é possível não só estimar o impacto das possíveis terapêuticas no momento da decisão da intervenção, compreendendo o desfecho de cada opção (p. ex. a cinco anos), como controlar e agir ao longo do percurso terapêutico, garantindo o objetivo: diminuir o RCV e melhorar a saúde do doente”, concluiu.

 

SO

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