Especialistas defendem maior divulgação da doença falciforme em Portugal face ao aumento de casos
A doença falciforme, que pode ser detetada através do teste do pezinho, é uma patologia genética do sangue caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos, que assumem a forma de foice. Esta deformação dificulta a circulação sanguínea e pode provocar dores intensas, anemia e danos em vários órgãos.

A Aliança Lusófona de Especialistas para a Doença Falciforme defendeu, em Díli, a necessidade de reforçar a divulgação pública da Doença Falciforme, sobretudo em Portugal, onde o número de casos tem vindo a aumentar nos últimos anos. Em declarações à agência Lusa, o médico Guilherme Queiroz alertou que a doença está longe de ser rara no país. “Uma em cada mil crianças da região de Lisboa já nasce com doença falciforme e duas em cada dois mil nascimentos no resto do país”, afirmou.
A doença, que pode ser detetada através do teste do pezinho, é uma patologia genética do sangue caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos, que assumem a forma de foice. Esta deformação dificulta a circulação sanguínea e pode provocar dores intensas, anemia e danos em vários órgãos.
Segundo o especialista, o aumento de casos está relacionado, entre outros fatores, com a evolução demográfica, nomeadamente o crescimento das taxas de natalidade em países africanos de língua oficial portuguesa e a mobilidade populacional. “É uma doença cada vez mais frequente em Portugal e noutros países, e é fundamental dar-lhe visibilidade para garantir melhores condições de vida aos doentes”, sublinhou.
Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada. De acordo com Guilherme Queiroz, quando diagnosticadas e acompanhadas desde cedo, as pessoas com doença falciforme podem alcançar uma esperança média de vida próxima da população em geral. Originária do continente africano, a doença está hoje disseminada por várias regiões do mundo, incluindo o continente americano — com destaque para o Brasil —, a Índia e a Europa.
O médico, investigador do ISGlobal, da Universidade Pompeu Fabra, e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra, explicou ainda que a criação da ALUA, em 2023, surgiu também como resposta à falta de atenção dada a esta patologia.
Segundo referiu, a revista científica The Lancet classificou recentemente a doença falciforme como uma das mais negligenciadas a nível global. Entre as razões apontadas estão o facto de ser uma doença genética — e, por isso, não contagiosa — e de afetar maioritariamente populações afrodescendentes, frequentemente menos visíveis nas políticas públicas. “Se cerca de meio milhão de crianças nascem todos os anos com esta doença e até 80% ou 90% acabam por morrer, estamos perante um problema de enorme dimensão”, alertou.
Além de promover maior sensibilização, a ALUA pretende impulsionar a produção de conteúdos científicos em língua portuguesa e reforçar a investigação sobre a doença, contribuindo para melhorar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
SO/LUSA
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