Gestão de Stress e Inteligência Emocional em MGF
Médica de Família, UCSP Baixa da Banheira, ACES Arco Ribeirinho

Gestão de Stress e Inteligência Emocional em MGF

À semelhança de outras sessões de cariz prático, e não exclusivamente técnico-científico, que têm integrado os Encontros Nacionais de Internos e Jovens Médicos de Família da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, esta sessão visa falar sobre a nossa vida enquanto médicos, mas também enquanto humanos. De facto, desde o ensino pré-graduado até ao término da especialidade, temos poucos momentos formativos sobre empatia, comunicação, gestão de stress ou bem-estar emocional.

Ser médico é e será, inevitavelmente, um trabalho associado a stress pelo facto de estarmos a lidar diariamente com o ser humano, em especial, aquele que está doente e frágil. Assumimos frequentemente decisões de grande responsabilidade, num cenário de grande incerteza e onde controlamos poucos fatores.

Além disso, adicionado ao esforço que é exigido numa consulta, somos confrontados frequentemente com falta de condições físicas, sobrecarga horária, número de recursos humanos insuficiente e falta de material básico. O estudo realizado em 2017 pelo Instituto de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, e a pedido da Ordem dos Médicos, revelou que 7% dos médicos da amostra analisada apresentavam síndrome de burnout.

Porém, 66% mostravam um nível elevado de exaustão emocional, 39% apresentavam um nível elevado de despersonalização dos doentes e 30% revelavam um índice elevado de diminuição da realização profissional. Estudos mais recentes, relatam que mais de 40% dos médicos e enfermeiros sofrem da síndrome em Portugal. Estes resultados espelham a dura e preocupante realidade sobre a saúde dos médicos no nosso país. O burnout médico tem sido associado a níveis menores de satisfação do utente e da qualidade de prestação de cuidados de saúde, bem como a níveis maiores de erro médico, pelo que o tema merece a atenção por parte dos decisores.

Esta sessão do Encontro surge da necessidade de se criar um espaço de partilha, em que a Joana Pena Ferreira (psicóloga de formação) explicará a importância da gestão de stress e inteligência emocional na prevenção do burnout. A inteligência emocional, tendo por base cinco pilares (autoconsciência, autorregulação, motivação, empatia e habilidades sociais), está intimamente ligada à gestão de stress. Adquirir estratégias que desenvolvam a nossa inteligência emocional e resiliência podem ser parte da solução para termos médicos realizados com a profissão.

A Dra. Alexandra Fernandes, Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar, e a Catarina Viegas Dias, jovem especialista, representam gerações de médicos separadas por alguns anos, mas que partilham a paixão pela Medicina, a inovação ou a investigação. Ao longo da sessão, dar-nos-ão a sua perspetiva sobre o tema, assim como partilharão estratégias que desenvolveram para poder viver a profissão de forma equilibrada e feliz.

Por fim, pretendemos igualmente refletir sobre o papel ativo dos profissionais de saúde no sistema de saúde, nomeadamente no que podemos fazer para tornar as instituições de saúde “amigas” do trabalhador e espaços onde possamos praticar a medicina humanizada e competente que tanto idealizamos.

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