Fundação Champalimaud abre novo centro de tratamento do cancro do pâncreas em 2020

A presidente da Fundação Champaliamud, Leonor Beleza, anunciou, esta terça-feira, a construção de um centro de pesquisa e tratamento do cancro do pâncreas com um investimento de 50 milhões de euros da família dos fundadores da Danone.

Fundação Champalimaud abre novo centro de tratamento do cancro do pâncreas em 2020

Para a construção da nova unidade, a Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da multinacional alimentar Danone.  Segundo a Fundação, “é a primeira vez que uma família estrangeira confia a uma instituição filantrópica portuguesa uma responsabilidade desta natureza”.

A doação de 50 milhões de euros foi feita por Mauricio Botton Carasso e a mulher, Charlotte Botton, familiares dos fundadores da empresa Danone, fundada em Espanha em 1919. Mauricio Botton Carasso é considerado um dos homens mais ricos de Espanha.

Mauricio Botton Carasso, nascido em França, é da terceira geração da família de judeus sefarditas, sendo neto de Isaac Carasso, fundador da Danone, de acordo com informação fornecida pela Fundação Champalimaud. A família de origem grega foi para Barcelona durante a I Guerra Mundial, no entanto, vários elementos da família tiveram de fugir mais tarde ao antissemitismo nazi.

O futuro centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas deverá chamar-se centro “Botton-Champalimaud.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, considera que o centro representa o “lançar de uma semente” para o “diagnóstico preciso” do cancro do pâncreas e para se “ensaiar novos medicamentos”.

Segundo Luís Tomé, o cancro do pâncreas é uma doença que é diagnosticada tarde, porque “não causa sintomas, tem manifestações atípicas” e o tumor “cresce muito sem colidir com outros órgãos”. “É uma doença rebelde aos tratamentos cirúrgicos e médicos”, adiantou, assinalando que o doente tem uma esperança de vida curta, morrendo em média ao fim de seis meses após o diagnóstico.

O cancro do pâncreas é responsável pela morte de cerca de 1.300 pessoas em Portugal e mais de 330 mil no mundo por ano. A incidência da doença tem vindo a aumentar, surgindo todos os anos perto de 280 mil novos casos a nível mundial. Atualmente, é a quinta causa mais frequente de morte por cancro, prevendo alguns especialistas que passe a ser a quarta causa dentro de cerca de uma década.

A Fundação Champalimaud já tem um centro clínico e de investigação (Centro Clínico Champalimaud) direcionado para os cancros com maior incidência, incluindo os digestivos como o pâncreas.

LUSA/SO

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