3 Mar, 2023

Federação Nacional dos Médicos diz que houve um “retrocesso absoluto” nas negociações com tutela

Em causa está, sobretudo, o possível aumento de cinco anos na idade para os médicos deixarem de fazer urgências. Para Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), esta medida não vai ajudar a fixar médicos no SNS e "a sangria ainda vai piorar se nada for feito”.

Federação Nacional dos Médicos diz que houve um “retrocesso absoluto” nas negociações com tutela

A FNAM considera um “retrocesso absoluto e inaceitável” a proposta apresentada pelo Governo que “deixa em aberto” um aumento de cinco anos na idade para os médicos deixaram de fazer trabalho noturno e urgências. “Os médicos estão esgotados e isto é inaceitável. É absolutamente inaceitável. Estão-nos a apresentar, no fundo, quase como uma moeda de troca, perda de direitos”, disse à agência Lusa a presidente da Comissão Executiva da FNAM, Joana Bordalo e Sá, no final de mais uma reunião negocial com o Ministério da Saúde.

A dirigente sindical disse que foi “uma reunião extremamente longa”, mas não chegaram aos objetivos pretendidos e a greve vai ser mantida. “Estamos numa negociação séria e, portanto, vamos manter o pré-aviso de greve, vamos manter a greve nos dias 8 e 9 de março e é uma greve para todos os médicos de qualquer setor”, declarou a responsável.

Na reunião “não se falou de todo de grelhas salariais, que é o tema mais importante neste momento em cima da mesa para conseguimos prevenir a saída de médicos do Serviço Nacional de Saúde”, adiantou. Segundo a líder sindical houve “pequeninos avanços” na questão das normas particulares de organização e disciplina do trabalho médico, que tem estado em discussão desde novembro, “mas mesmo assim ainda não foram fechadas”.

Mas, salientou, “o pior de tudo” foi o Ministério da Saúde ter apresentado uma proposta que já tinha apresentado em novembro e que o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, que tinha estado nessa reunião, tinha retirado da mesa, “ou pelo menos foi isso que nos fez perceber”. “Essa proposta volta a aparecer com uma redação de possível perda de direitos, ou seja, deixa em aberto que os médicos de família podem deixar de ter limite para o número de utentes ou ter um limite diferente ou maior do que o que é agora, que é imenso”, criticou Joana Bordalo e Sá.

LUSA

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