16 Jan, 2019

Faltam pelo menos 13 médicos pediatras na urgência do Dona Estefânia

Hospital trabalha com metade dos pediatras recomendados, o que obriga alguns médicos a fazerem muitas horas extraordinárias e outras a terem de fazer urgência depois da idade limite permitida. Faltam também enfermeiros e assistentes operacionais.

A situação no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, é de carência generalizada de profissionais: faltam médicos (pelo menos 13 pediatras), enfermeiros e assistentes operacionais. O retrato foi feito esta terça-feira aos deputados da Comissão Parlamentar de Saúde, que se deslocaram à unidade hospitalar, avança o jornal Público.

Em Dezembro, o coordenador da urgência e os chefes de serviço do hospital apresentaram a demissão devido ao alegado não cumprimento, por parte da administração, de um plano que previa a contratação de médicos especialistas. De imediato, tanto o Bloco de Esquerda como o PSD pediram uma audição com as partes. Ontem foram ouvidos os profissionais de saúde e, mais tarde, a presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), Ana Escoval.

“Os profissionais transmitiram-nos que são precisos pelo menos mais 13 pediatras só para garantir escalas [de urgências], sem recorrer sistematicamente às muitas horas extraordinárias e aos médicos que estão dispensados de fazer urgências [por terem atingido a idade limite definida por lei] e que continuam a fazê-las”, apontou o deputado do Bloco Moisés Ferreira.

Ricardo Batista Leite denunciou também a carência de pediatras e de enfermeiros. “O que nos foi transmitido é que numa situação de pico de procura, com mais de 300 doentes por dia, deveria haver, de acordo com o colégio de pediatra da Ordem dos Médicos, dez pediatras de dia e dez de noite. O que se verifica é que há dias em que estão reduzidos a quatro e cinco elementos. Isto para além das equipas de enfermagem que não estão a ser capazes de responder“, disse o deputado do PSD, acrescentando que “há clínicos a trabalhar no privado que estariam dispostos a vir trabalhar para o Dona Estefânia caso houvesse verba disponível para tal – verba que não foi disponibilizada ao longo destes dois anos”.

Ana Escoval admitia em dezembro que poderiam ser contratados apenas “mais dois ou três médicos” através de concurso, a somar aos sete que já estariam assegurados. “Conseguimos mais três mobilidades, duas pessoas que estavam em outros hospitais e cujo pedido foi aceite, e um terceiro que estava no Porto e irá regressar. Foi autorizado mais o contrato de uma pessoa que estava num hospital privado e que virá para cá. Ao todo temos sete pessoas. Para além disso a expetativa de virmos a ter dois ou três lugares ou mais que serão preenchidos”, frisou a presidente do CA do CHLC.

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