16 Mai, 2022

“Estamos a atravessar a maior desertificação dos Cuidados de Saúde Primários desde a criação do SNS”

Na região Centro, 160 mil utentes não têm médico de família. E este número pode duplicar a breve prazo, avisa o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) denunciou que cerca de 160 mil utentes na região Centro estão sem médico de família e que são necessários 90 médicos para colmatar as necessidades atuais.

“Não vale a pena traçar um cenário de tranquilidade, porque ele é de enorme preocupação. Estamos a atravessar a maior desertificação dos cuidados de saúde primários desde a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a que a ministra da Saúde, Marta Temido, está a assistir com aparente imobilismo”, sublinhou o presidente da estrutura, em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo Carlos Cortes, atualmente, dos 1.228 médicos dos cuidados de saúde primários da Região Centro, 965 são especialistas de Medicina Geral e Familiar, e 263 são especialistas em Saúde Pública.

O presidente da SRCOM considerou que o SNS está a “enfrentar dificuldades extremas para suprir as necessidades da população, uma vez que há zonas bastante carenciadas, e com gravidade, designadamente na zona da Beira Interior ou no Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Pinhal Litoral, entre outros”.

“Mais grave do que este contexto, é assistir a esta hecatombe com a probabilidade de aposentações que se avizinham. É, de facto, uma realidade muito difícil, pois neste momento há 200 mil utentes que fazem parte do ficheiro clínico de médicos com mais de 65 anos”, referiu Carlos Cortes.

Neste momento, acrescentou, faltam na região Centro 90 médicos de família para darem resposta aos perto de 160.000 utentes sem médicos de família atribuídos”.

“A breve prazo esse número duplicará e faltarão mais de 250 médicos de família na região”, prevê.

Para o dirigente, é importante que a tutela “defina e implemente medidas governamentais e orçamentais que ajudem a criar as condições para fixar os jovens médicos nesta especialidade”.

“O país precisa dos seus médicos cuja formação pré e pós-graduada é reconhecidamente de qualidade. O país, e a região Centro em particular, precisam de um novo modelo de contratação, fixação dos médicos e de criação de condições para o exercício da resposta clínica à população”, defendeu.

Carlos Cortes sublinhou a necessidade de fazer o tributo aos “médicos pioneiros nesta especialidade, mas também de promover a integração dos jovens especialistas”, quando se aproxima o Dia Mundial do Médico de Família 2022.

A data vai ser assinalada pela SRCOM, de segunda a quinta-feira, com um conjunto de atividades subordinadas ao tema “Valorizar quem cuida de todos”.

LUSA

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