2 Out, 2018

Especialistas europeus promovem técnica de diagnóstico vantajosa mas pouco usada

A espetroscopia Raman é muito pouco aplicada, apesar de ser “muito vantajosa para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias”, sustentam diversos especialistas europeus, que vão reunir-se em Coimbra para promover a introdução desta técnica na clínica.

Embora seja “muito vantajosa para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias, incluindo o cancro”, a técnica de espetroscopia Raman “ainda é muito pouco aplicada na clínica”, afirma a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Na Europa, apenas alguns hospitais da Holanda, da Alemanha e do Reino Unido” utilizam esta “técnica ótica de alta resolução que, através da incidência de radiação (luz) sobre uma qualquer amostra, consegue obter informação química em poucos segundos”, isto é, fornece “informação acerca dos compostos presentes na amostra analisada”, salienta a FCTUC.

A espetroscopia de Raman é identificada com o nome do cientista que a descobriu, o indiano Chandrasekhara Venkata Raman, que foi Prémio Nobel da Física em 1930.

Com o objetivo de introduzir esta técnica na clínica, mais de 150 investigadores europeus formaram uma rede de colaboração, denominada Raman4Clinics, no âmbito das Ações COST (Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia), cuja reunião final vai realizar-se entre os dias 07 e 12, em Coimbra. A FCTUC é membro da rede através de uma equipa de especialistas da unidade de investigação e desenvolvimento (I&D) Química-Física Molecular, liderada por Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques.

Nesta reunião científica, serão apresentados e discutidos “os avanços obtidos nos últimos três anos, bem como o impacto da aplicação da técnica junto dos utilizadores finais” – médicos e pacientes, em meio hospitalar.

No âmbito do mesmo encontro, terá lugar uma ‘summer school’, destinada designadamente a investigadores em início de carreira e a estudantes de mestrado e de doutoramento, que terão “oportunidade de aprender com os especialistas internacionais mais reputados da área da espetroscopia de Raman aplicada à química medicinal e diagnóstico”, destaca a FCTUC.

Técnica “não invasiva”, a espetroscopia de Raman é “muito útil e vantajosa para a clínica, especialmente para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias, nomeadamente doenças infecciosas, vários tipos de cancro de baixo prognóstico e bactérias hospitalares resistentes a antibióticos”, sustentam Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques.

“Trata-se de uma técnica muito rigorosa que fornece informação imediata. Os doentes não têm assim que aguardar dias ou semanas pelos resultados de biopsias”, sublinham, citados pela FCTUC, os dois investigadores. Além disso, é igualmente uma ferramenta “muito versátil e vantajosa” do ponto de vista económico.

“Pode ser muito útil em cirurgias extremamente delicadas, como, por exemplo, uma cirurgia para remover um tumor no cérebro, em que é imprescindível ter informação em tempo real que guie o neurocirurgião, indicando-lhe exatamente o que é tecido doente e que deve ser totalmente removido, e o que é tecido são e que deve ser poupado”, ilustram estes dois especialistas.

“É preciso quebrar barreiras e explicar aos clínicos que a espetroscopia de Raman evoluiu muito nos últimos anos. Por exemplo, existem atualmente aparelhos de Raman portáteis, muito versáteis para utilizar em ambiente hospitalar e no teatro operatório, e as imagens obtidas são de fácil interpretação”, alertam.

A equipa de Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques tem em curso “um projeto de investigação pioneiro em Portugal”, em parceria com o Instituto de Oncologia de Coimbra – ‘Vibs on cancer’ –, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e por fundos europeus, que visa a aplicação da espetroscopia de Raman em diagnóstico médico, “especificamente na deteção precoce de tipos de cancro de baixo prognóstico”.

Ainda com vista à divulgação da técnica de Raman, no âmbito da reunião da Raman4Clinics, terá lugar uma palestra, “aberta a toda a comunidade”, no dia 07, às 18:00, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, por Peter Gardner, da Universidade de Manchester, responsável pela translação da espetroscopia de Raman para a clínica na deteção de cancro de próstata.

LUSA

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