19 Dez, 2018

Enfermeiros pedem aumento de 400 euros e reforma aos 57 anos

Profissionais não desistem de melhorias no vencimento e nas condições de trabalho mas mostram flexibilidade para chegar a um acordo que trave as sucessivas greves. Ministério da Saúde convocou todos os sindicatos para uma reunião na sexta-feira.

São reinvindicações antigas, das quais os enfermeiros não abdicam. A valorização salarial é uma das prioridades para estes profissionais, que se queixam da falta de progressividade remunetória em função dos anos de serviço. No lote das exigências por melhores condições de trabalho está também a descida da idade mínima de reforma.

Os enfermeiros não compreendem, por exemplo, a falta de valorização da carreira em função dos anos de experiência. Um profissional em início de carreira recebe o mesmo que um enfermeiro com muitos anos de serviço: 1200 euros brutos mensais. Os sindicatos reivindicam, junto do Ministério da Saúde, um aumento de 400 euros e ainda o pagamento do suplemento remuneratório (de 150 euros mensais) a todos os enfermeiros especialistas.

Os enfermeiros querem também que a profissão seja considerada como de desgaste rápido, o que resultaria numa compensação extra do trabalho por turnos. Exigem também a diminuição da idade mínima da reforma para os 57 anos de idade e 35 anos de serviço (sem cortes na pensão) e uma adequada contabilização dos pontos para a progressão na carreira.

Uma série de exigências, com impacto orçamental, que o Ministério da Saúde, sempre condicionado pelo das Finanças, não parece ter capacidade de suportar. No entanto, da parte dos enfermeiros que convocaram a greve nos blocos cirúrgicos, existe alguma flexibilidade para negociar.

“Apresentamos as propostas, depois tem que haver cedências de parte a parte. Temos a noção de que as nossas reivindicações não podem ser todas atendidas ao mesmo tempo”, explica Catarina Barbosa, do movimento que convocou a chamada “greve cirúrgica”, ao jornal Público.

Ministério reúne com enfermeiros

Entretanto, o Ministério da Saúde anunciou que “convidou os sindicatos dos enfermeiros” para uma reunião na sexta-feira, à margem das negociações, com o propósito de “desenvolver uma reflexão conjunta” sobre o setor, em especial a profissão de enfermeiro.  O Ministério da Saúde assegura que está “a envidar todos os esforços” para “garantir a continuidade das negociações que estão em curso” com os sindicatos dos enfermeiros.

A nota da tutela surge depois de a Ordem dos Enfermeiros ter defendido hoje um acordo entre o Governo e os sindicatos em relação à ‘greve cirúrgica’, a decorrer até ao fim do ano nos blocos operatórios de cinco hospitais, alertando para o adiamento de mais de sete mil cirurgias.

Saúde Online/ Lusa

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