7 Out, 2026

Enfermeiros devem atender todas as chamadas do INEM, defende Ordem

Sónia Sousa, do colégio da especialidade em enfermagem à pessoa em situação crítica da Ordem dos Enfermeiros, defendeu que estes profissionais trazem um “raciocínio clínico mais diferenciado” nos CODU do INEM e “ganhos para a saúde” pelo sistema de triagem usado.

Enfermeiros devem atender todas as chamadas do INEM, defende Ordem

A Ordem dos Enfermeiros defende que o atendimento das chamadas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) deve ser sempre feito por enfermeiros e considerou um retrocesso o acordo da tutela com os técnicos de emergência pré-hospitalar.

Em declarações na comissão parlamentar de saúde, onde hoje foi ouvida, Sónia Sousa, do colégio da especialidade em enfermagem à pessoa em situação crítica da Ordem dos Enfermeiros (OE), defendeu que estes profissionais trazem um “raciocínio clínico mais diferenciado” nos CODU do INEM e “ganhos para a saúde” pelo sistema de triagem usado.

“O tetracosi [sistema de triagem usado pelos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar] não é um sistema testado e sustentado numa avaliação científica, ao contrário triagem de Manchester”, usada pelos enfermeiros que atendem no CODU e pelas urgências das Unidades Locais de Saúde (ULS), lembrou Sónia Sousa.

Sublinhou os ganhos de eficiência que o uso do mesmo sistema de triagem (no INEM e nas ULS) pode trazer, insistindo na uniformidade de critérios, e considerou o acordo da tutela com os TEPH “um retrocesso”.

Este acordo, que permitiu impedir a greve que estava agendada para este mês dos TEPH do INEM, garantiu que estes profissionais continuassem a garantir a triagem de chamadas 112 nos CODU.

A acompanhar a responsável pelo colégio da especialidade esteve João Lourenço, que corroborou a mesma posição, afirmado que o processo começa na triagem e que aí as coisas podiam melhorar: “Tem de haver um paralelismo entre a triagem hospitalar e a do INEM”.

“Isto só se consegue se o sistema partir dos mesmos princípios”, disse o responsável, defendendo que todas as situações deveriam ser triadas por enfermeiros.

Sobre a formação, Sónia Sousa defendeu que o foco do INEM deve ser especificamente na emergência médica, manifestando igualmente disponibilidade da ordem para a capacitação de todos os profissionais que prestam cuidados no pré-hospitalar, insistindo na necessidade de alargar a formação de todos os parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).

“É preciso elevar a diferenciação e capacidade de resposta”, defendeu a responsável, que considerou ainda que o INEM “não pode ser patrão, formador, regulador e auditor”.

Admitiu que a Ordem dos Enfermeiros não foi ouvida “de forma oficial” na elaboração na nova Lei Orgânica do INEM, mas que o documento enviado à ministra por estes profissionais de saúde foi tido em conta na nova lei, concluindo: “Tivemos um envolvimento parcial”.

Ambos consideraram que a substituição das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) por veículos ligeiros pode vir a trazer “maior equidade de acesso”. “Num doente crítico, não chegam duas pessoas [que seguem nas SIV]. Vou ter sempre de enviar dois meios. E as viaturas ligeiras trazem uma resposta mais rápida e flexível, pois as SIV estão em zonas mais interiores, com maiores distâncias a percorrer”, explicou o enfermeiro João Lourenço.

Disse ainda que é impossível ter ambulâncias SIV e Viaturas de Emergência Médica e Reanimação no país todo e, mesmo quando a SIV é chamada, quando chega, muitas vezes já lá estará a viatura dos bombeiros: “O que se faz é ir atrás a acompanhar”.

“Na verdade, neste caso, a segunda viatura está a ser usada como uma viatura ligeira”, insistiu.

Também ouvido na comissão parlamentar de saúde, Nuno Catorze, presidente do colégio de Medicina de Urgência e Emergência da Ordem dos Médicos, disse que estes profissionais também não foram ouvidos na preparação da nova lei.

O responsável destacou a importância de ter um INEM “apoiado num suporte medicalizado” e considerou essencial a aproximação dos modelos do INEM e das ULS, com responsabilidades atribuídas e partilha de recursos.

“É possível ter soluções que aumentam a qualidade assistencial do INEM e todas passam pela partilha de recursos humanos”, disse Nuno Catorze, que apontou ainda a necessidade de medir os resultados clínicos no doente à saída do hospital.

  1. SO/LUSA

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