Enfermeiros confirmam greve de quatro dias após falhanço nas negociações com ministra

Paralisação já estava pré-convocada e vai avançar, na próxima semana, com um dia de greve em cada região de portugal. Ministra diz que reivindicações dos sindicatos custariam mais de 500 milhões de euros.

Começou da pior maneira a maratona negocial que o ministra da Saúde agendou para esta quinta-feira. Recebidos de manhã, os dirigentes do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) não chegaram a acordo com o governo e avançam, assim, com uma greve de quatro dias na próxima semana. Além desta paralisação, existe a possibilidade da realização de uma nova greve cirúrgica, convocada por outros dois sindicatos, até ao final de Fevereiro.

A greve vai decorrer de 22 a 25 de janeiro e vai afetar uma região do país por dia. Assim, no dia 22 acontece em Lisboa e Vale do Tejo, a 23 no Centro, a 24 no Norte e termina no dia 25 no Algarve, Alentejo e Açores.

A decisão foi comunicada aos jornalistas à saída do encontro pelo sindicalista José Carlos Martins, presidente do SEP. “O Governo assumiu em definitivo que vai contar um ponto e meio para efeitos do descongelamento das progressões [na carreira] até 2014, sendo certo que continua a ponderar não contar pontos para trás dos 1200 [euros]. Essa é uma das razões da greve de 22 a 25 de Janeiro, um dia por região de saúde”, disse à TVI24. A paralisação estava já pré-convocada e a confirmação de que o protesto vai mesmo acontecer surgiu após o fracasso da reunião desta manhã.

Segundo o presidente do SEP, em relação à nova carreira de enfermagem, “o ministério diz que já respondeu com a consagração da categoria de enfermeiro especialista”. “Contudo, o que o ministério hoje apresentou fica muito longe do que são as justas reivindicações dos enfermeiros”, disse.

Esta greve nada tem a ver com a paralisação dos blocos operatórios, que foi convocada por outros dois sindicatos que vão reunir esta tarde com a ministra da Saúde, Marta Temido, e também com a secretária de Estado do Emprego e Administração Pública, Maria de Fátima Fonseca. A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) fizeram depender também o início de nova greve cirúrgica do resultado da reunião de hoje. Se não houver acordo, a greve avança em sete hospitais até 28 de fevereiro.

 

Ministra calcula que reivindicações custem 500 milhões

 

Marta Temido diz que reivindicações dos enfermeiros, se fossem todas atendidas, custariam mais de 500 milhões de euros em efeitos remuneratórios, “um caminho” que Marta Temido considera que não é possível percorrer na totalidade.

“O caminho que nós já andamos é um caminho que importa 200 milhões de euros só para esta profissão. O caminho que agora nos pedem vai para além dos 500 milhões de euros em termos de efeito remuneratório se todas as reivindicações fossem atendidas”, contabilizou, acrescentando que “não é possível fazê-lo todo”.

“A ministra da Saúde e o Governo não são nem ministra da Saúde dos profissionais de Saúde nem Governo apenas das reivindicações profissionais, têm que em primeira mão satisfazer o interesse público”, concretizou.

Para Marta Temido, esta questão com os enfermeiros “não se trata de um braço de ferro, trata-se de um caminho que vem sendo prosseguido com grande esforço por parte do Governo no sentido de construir pontes mesmo quando, às vezes, elas se afiguraram difíceis”.

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