“É tudo ou nada”. Enfermeiros pedem 400 mil euros para fazer greve cirúrgica “mais agressiva” em 2019

Sindicato Democrático dos Enfermeiros garante que profissionais "estão prontos para ir até onde for preciso". Nova greve cirúrgica em 2019 vai afetar mais hospitais.

Mesmo perante os pedidos de contenção e as críticas à dimensão da greve que já adiou milhares de cirurgias, os enfermeiros não desistem e já estão a recolher fundos para um novo protesto ainda maior, que abrangerá mais do que os cinco hospitais que estão atualmente a ser afetados.

Esta terça-feira à tarde, à hora em que decorria o debate quinzenal no parlamento (em que o primeiro-ministro considerou a greve “inaceitável” e lançou duras críticas à bastonária dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco), o movimento de enfermeiros que suporta a atual greve aos blocos cirúrgicos colocou online uma nova campanha de angariação de fundos. Desta vez, o objetivo é atingir 400 mil euros para uma “greve cirúrgica 2”.

“Ao 14 ° dia, a intransigência governamental mantém-se. Mas nós também nos mantemos firmes e estamos prontos a ir até onde for preciso para que nos tomem com a seriedade necessária e assumam as negociações connosco”, disse em comunicado o Sindepor, uma das estruturas sindicais que convocaram o protesto em curso desde 22 de novembro nos cinco maiores hospitais do país. A nova greve vai abranger mais hospitais e será mais “agressiva e expressiva”, avisa o movimento na sua página no Facebook.

Até às 11 horas de hoje já tinham sido angariados mais de 13 mil euros, resultado dos donativos de 515 apoiantes.

“Ao contrário dos mitos que andam por aí a circular, não têm sido instituições ou hospitais privados a fazer donativos para apoiar a greve, foram os próprios enfermeiros e as suas famílias e amigos que deram dinheiro e até houve médicos, cirurgiões e anestesistas, a contribuir também”, garantiu Catarina Barbosa, que pertence ao movimento dos enfermeiros que suporta a greve, em declarações ao Público.

Não é consensual o número de cirurgias adiadas por causa da greve que está a decorrer. Hoje, no parlamento, a ministra da Saúde, Marta Temido, avançava que já tinham sido adiadas 4.543 cirurgias. Contudo, o Sindepor garante que o acumular de operações por realizar já ultrapassa as seis mil.

Contudo, os administradores hospitalares defendem que o governo também deveria divulgar o número de casos graves que têm ficado sem resposta do SNS. “Há doentes em risco de perda de capacidade, doentes ortopédicos, de cirurgia vascular, com descolamentos de retina”, alerta Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.

Este modelo de paralisação surgiu porque este grupo de profissionais entende que “as formas de luta até hoje adotadas, sendo válidas, não lograram alcançar legítimas pretensões” dos enfermeiros.

Saúde Online

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