29 Jul, 2020

Doentes de hepatite C mais vulneráveis vão ter espaço de rastreio em Lisboa

Estas consultas descentralizadas têm início a partir de hoje no centro de rastreiro IN-Mouraria e vai alcançar cerca de 200 pessoas

Estas consultas descentralizadas resultam de uma parceria entre o Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAP) e o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), segundo referiu à agência Lusa o presidente do GAP, Luís Mendão.

“O nosso centro fica na Calçada de Santo André (Mouraria) junto à Rua dos Cavaleiros, uma zona de grande consumo de droga e onde existem muitos sem-abrigo. São exatamente essas as pessoas mais afetadas pela hepatite que nós queremos ajudar”, explicou.

Segundo o presidente da GAP, a taxa de sucesso de cura nestas pessoas mais vulneráveis é de apenas 11 a 12%, enquanto na restante população é de 60 a 70%.

E “é exatamente essa camada da população que tem maiores dificuldades no acesso aos hospitais e que mais ficam para trás no tratamento da doença”.

“Não é que exista uma negação formal dos hospitais. O problema é que as regras hospitalares são complicadas para estas pessoas e não são compatíveis com as suas necessidades”, alertou.

Consultas “simplificam o acompanhamento destes doentes”

Nesse sentido, Luís Mendão ressalvou que as consultas descentralizadas “serão essenciais para simplificar com segurança e qualidade o acompanhamento desses doentes”.

“Em vez de irem ao hospital fazem tudo onde já vão habitualmente”, apontou, sublinhando que esta medida “faz ainda mais sentido neste contexto da pandemia da covid-19, em que é preciso minimizar as deslocações ao hospital e manter o distanciamento social.

Assim, no centro da GAP, os pacientes poderão realizar procedimentos clínicos, como a confirmação da infeção, análises, elastografia, prescrição e avaliação do sucesso terapêutico.

As pessoas que tiverem resultados positivos no rastreio à infeção da hepatite C serão encaminhadas para o serviço de Gastrenterologia do Hospital de Santo António dos Capuchos.

Estas consultas médicas podem ser presenciais ou por telemedicina.

“As pessoas estão ansiosas e entusiasmadas com o projeto”, sublinhou.

Em Portugal, segundo os dados Infarmed, até ao dia 01 de julho de 2020, foram autorizados, desde 2015, 27.239 tratamentos para a hepatite C e iniciados 26.006. A taxa de cura mantém-se nos 97%, com 15.909 doentes curados e 572 não curados.

SO/LUSA

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