9 Jul, 2018

Terapia Genética consegue reverter diabetes tipo II em laboratório

Testes em humanos só devem começar dentro de cinco anos mas os resultados registados agora em ratos (o animal cuja diabetes tipo 2 é mais parecida com a nossa) provam que é possível curar a doença apenas com uma sessão de terapia genética.

Uma equipa de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) encontrou a cura para a diabetes tipo 2 em ratos através de um tratamento de terapia genética. O estudo foi apresentado pela equipa de investigação numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira no campus da UAB em Bellaterra, onde o grupo de investigadores, liderado pela professora Fátima Bosch, esteve presente.

Trata-se de um grande e fundamental ponto de partida para conseguir a aplicação desta mesma terapia em humanos. Com a introdução, numa única injeção, de um vetor viral adeno-associado (AAV) portador do gene FGF21 (Fator de Crescimento de Fibroblastos 21), que permite a manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo-esquelético, o animal produz continuamente a proteína FGF21. Esta proteína fez com que os animais perdessem peso ( o que leva os investigadores a pensar que possa estar também aqui a solução para a obesidade) e eliminou a resistência do organismo à insulina, resistência essa que provoca a diabetes tipo 2.

A proteína é uma hormona produzida naturalmente por vários órgãos e que atua em muitos tecidos para regular o funcionamento correto no nível de energia, induzindo assim a sua produção por terapia genética, e levando a que o animal reduza o seu peso assim como a resistência à insulina.

Para além de terem colocado os animais a produzir continuamente a proteína FGF21, o tratamento de terapia genética não provocou quaisquer efeitos secundários a longo prazo, tendo-se registado até um rejuvenescimento dos ratos.

Se este técnica funcionar em pessoas, estará dado um grande passo no combate a este tipo de diabetes, o mais comum, que afeta mais de 90% dos doentes. Fátima Bosch prevê que a terapia possa começar a ser testada em humanos no prazo de cinco anos.

“Esta é a primeira vez que se consegue contrariar a obesidade e a resistência à insulina mediante a administração de uma única sessão de terapia genética  naquele que é o modelo animal cuja obesidade e diabetes tipo 2 mais se assemelha aos humanos. Os resultados demonstram que é uma terapia segura e eficaz”, explica a autora principal do estudo, a investigadora da UAB Verónica Jiménez.

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