Cuidados Paliativos exigem resposta estrutural urgente
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos exige ao Governo medidas estruturais imediatas após um relatório da ERS revelar que mais de metade dos utentes referenciados morreu em 2024 antes de ter acesso a cuidados paliativos no SNS.

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) considera que as conclusões do relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), divulgado, exigem ao Governo a adoção de medidas estruturais imediatas na área dos Cuidados Paliativos.
Em comunicado, a associação sublinha que o relatório confirma “falhas estruturais graves” no acesso, na cobertura territorial e na capacidade de resposta da Rede Nacional de Cuidados Paliativos, após revelar que, em 2024, 53% dos utentes referenciados para unidades de cuidados paliativos da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (UCP-RNCCI) morreram antes da admissão.
Perante estes dados, a APCP defende que o Ministério da Saúde deve assumir uma responsabilidade política clara, frisando que “o momento exige execução política” e não apenas diagnóstico.
Segundo a associação, o relatório evidencia insuficiência de equipas, desigualdades regionais persistentes, constrangimentos organizacionais e limitações na articulação entre níveis de cuidados, fatores que explicam o acesso tardio, a ausência de resposta especializada e a sobrecarga das equipas existentes.
A APCP destaca ainda a necessidade de reavaliar os processos de admissão e de referenciação, em particular dos doentes com necessidades paliativas, de forma a adequar o encaminhamento às respostas disponíveis e a evitar encargos indevidos para os utentes.
Estas conclusões reforçam, segundo a associação, a urgência de melhorar a articulação entre cuidados hospitalares, cuidados de saúde primários, equipas comunitárias e unidades da RNCCI, garantindo percursos assistenciais claros, proporcionais à complexidade clínica e financeiramente justos.
A associação alerta também para a frustração vivida pelos utentes e famílias, resultante de processos de candidatura longos e da expectativa de uma vaga que muitas vezes não chega, classificando esta realidade como “eticamente inaceitável e juridicamente questionável”.
De acordo com o relatório da ERS, em sentido inverso à mortalidade em lista de espera, a percentagem de utentes admitidos em 2024 desceu para 33%, menos 4,4 pontos percentuais face a 2023 e menos 3,6 pontos face a 2022, com um tempo médio de espera para admissão de 16 dias. Dos utentes admitidos, 88,4% foram internados em unidades de Cuidados Paliativos e os restantes em unidades da RNCCI.
LUSA/SO
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