4 Dez, 2020

Cuidados Intensivos ainda não terão atingido o pico de doentes

Ocupação máxim das Unidades de Cuidados Intensivos deverá ocorrer esta semana. Pico de mortos esperado no final de dezembro.

A ocupação máxima de pessoas internadas em Unidades de Cuidados Intensivos deverá ocorrer esta semana e, no final do ano, vai registar-se o pico de mortes por covid-19, segundo estimativas apresentadas na reunião do Infarmed.

Estas são algumas das projeções a curto prazo apresentadas pelo professor e epidemiologista Manuel do Carmo Gomes, da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa.

O especialista lembrou que o número de pessoas internadas nos hospitais tem vindo a baixar e, segundo estudos feitos pela sua equipa, o máximo de ocupação em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) deverá ocorrer “por volta da primeira semana de dezembro”.

Doentes idosos voltam a predominar nas UCIs

Segundo Carmo Gomes, entre os dias 2 a 6 de dezembro as UCI deverão ter em média 530 pacientes. No terreno, os médicos que trabalham diretamente com os doentes críticos não sentem ainda a pressão a diminuir em resultado da diminuição dos contágios registada ao longo da última semana.

Estamos em taxa de ocupação máxima“, diz, ao Expresso, o diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Garcia de Orta (em Almada). Antero Fernandes assume que, à semelhança do que aconteceu entre março e maio, volta a haver um predomínio de doentes idosos em UCIs.

Manuel Carmo Gomes apresentou uma “fotografia” do que se passava nos hospitais a 1 de dezembro: nas enfermarias, a grande maioria (41%) eram pessoas com 80 anos ou mais. Já nos cuidados intensivos, os mais velhos não tinham tanta presença. “A UCI é dominada pelos doentes de 60 a 80 anos de idade”, resumiu.

O grupo etário dos 70 aos 79 anos é quem fica mais tempo internado em hospital, em especial quando requer assistência nos cuidados intensivos. A estes seguem-se os doentes na faixa etária dos 60 aos 69 anos.

Pico de mortes deve ocorrer no final de dezembro

Já no que toca às projeções para o número de vítimas mortais por covid-19, o especialista reconheceu que estes dados “têm tido algumas oscilações, o que os torna um bocadinho imprevisíveis”.

No entanto, está previsto que o pico de mortes seja atingido no final do mês. Nessa altura, segundo contas do epidemiologista, irão registar-se, em média, cerca de “76 óbitos diários”.

Resultado: Até ao final do ano, o país deverá registar entre seis mil a 6.500 vítimas mortais de covid-19 desde o início da pandemia.

Portugal já ultrapassou no entanto o pico dos contágios da segunda vaga: “Ultrapassámos o pico dos contágios e pensamos que estamos próximo do pico dos internados em hospital”, anunciou o especialista.

O pico de novos casos tendo em conta o início dos sintomas ou de notificações terá ocorrido entre os dias 18 a 21 de novembro, com uma média diária a rondar os 5.600 novos casos. Já os contágios terão ocorrido cerca de cinco dias antes, ou seja, entre 12 a 15 de novembro.

No final das exposições, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, questionou os especialistas sobre quais as medidas que entendem que deveriam ser implementadas no Natal e fim do ano.

Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), lembrou que um dos fatores que mais promove a transmissão é a presença de indivíduos infecciosos na população, e por isso defendeu que se deviam reduzir os contactos 14 dias antes e após o natal.

“Quando se iniciar o processo de reencontro das famílias, quanto menos forem os indivíduos infecciosos na população menor será a probabilidade de haver um indivíduo infeccioso num grupo familiar”, recordou.

No período imediatamente antes destes momentos de reencontro, Baltazar Nunes sugeriu que se copiasse a ideia do Reino Unido de criar “bolhas de Natal”: “As famílias que se vão reencontrar devem tentar reduzir ao máximo o número de contactos que tem com outros grupos nos 14 dias antes do Natal para reduzir ainda mais a prevalência de infecciosos”, explicou

Para o especialista, “impor medidas de restrição de mobilidade entre concelhos durante esse período de tempo poderá ter problemas a nível da sua adoção, ou seja, se a população está ou não está disponível para adotar essas medidas”.

SO/LUSA

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