6 Jan, 2021

Covid-19. Ficaram milhares de rastreios por fazer durante semanas

Administradores hospitalares criticam falta de recursos humanos para acompanhar cadeias de transmissão e defendem maior rastreio de contactos.

A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares defende que o crescimento de casos de covid-19 deve ser acompanhado por mais rastreio de contactos para travar a disseminação da doença e impedir que os hospitais suspendam atividade não urgente.

É importante que este crescimento da incidência, que este crescimento dos casos, seja acompanhado por um escalar também na nossa resposta, nomeadamente no rastreio de contactos”, disse à agência Lusa Xavier Barreto, vogal da direção da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Ressalvando que os hospitais ainda estão dentro do limite da sua capacidade, Xavier Barreto afirmou que depende agora de qual será a evolução nos próximos dias e até onde é que vai este crescimento da incidência e por quanto tempo.

“Os hospitais não desmobilizaram os meios que tinham afetos a áreas covid-19 mesmo durante este período em que tivemos uma redução do número de casos” e “estão a dar resposta normal a este acréscimo de casos”, disse Xavier Barreto, sublinhando que é importante observar a evolução da incidência da pandemia “para se perceber se a capacidade que têm, nomeadamente em camas de cuidados intensivos, que é sempre o recurso que é mais escasso, será suficiente ou não para acomodar este crescimento”.

 

Atividade programada nos hospitais deve diminuir nos próximos dias

 

Contudo, considerou que há uma “consequência expectável” nos próximos dias que é a redução da atividade programada.

Apesar de ter sido emitido há uns meses um despacho da ministra da Saúde a autorizar os hospitais a suspender a atividade não urgente para responder aos doentes covid, grande parte dos hospitais não parou totalmente a atividade programada.

Alguns hospitais até tinham conseguido recuperar totalmente a realização de atividades programadas. Nas últimas semanas havia hospitais a fazer cirurgias, por exemplo, sem qualquer tipo de constrangimento”, disse Xavier Barreto, adiantando que “a consequência mais expectável e que ocorrerá muito provavelmente a breve trecho é que esses hospitais provavelmente terão que parar com as cirurgias por ocupação das camas de cuidados intensivos por estes doentes”.

Por outro lado, disse, tem havido alguma dificuldade ao nível do rastreio de contactos, a estratégia definida desde o início da pandemia.

 

São necessários rastreadores, alertam administradores hospitalares

 

“Por cada caso positivo que identificamos, vamos rastrear contactos, vamos acompanhar esses contactos de risco, testá-los e eventualmente isolá-los se forem de alto risco”, mas, afirmou, “para isso, é preciso rastreadores, pessoas que contactem esses contactos de risco e que os acompanhem”.

“Sabemos até pela Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública que ficaram milhares de inquéritos por fazer durante algumas semanas e isso degradou a nossa resposta a esses doentes”, lamentou.

Xavier Barreto defendeu que se o acompanhamento não for feito desta forma, de maneira atempada, aumenta o risco de propagação da doença, alertando ainda para “o grande problema” que são os assintomáticos que não são identificados pelos serviços de saúde para fazerem o teste.

Reiterou ainda que uma das principais preocupações dos administradores hospitalares são os doentes sem infeção pelo novo coronavírus, sublinhando que “vários hospitais têm a sua atividade constrangida por via dos doentes covid”.

Alguns médicos deixaram as suas atividades normais noutras áreas e isso está a prejudicar o acompanhamento dos doentes não covid e estamos nesta situação já há várias semanas e isto é grave”, disse, advertindo que “se este aumento da incidência da doença se prolongar por várias semanas, a situação passará a ser ainda mais preocupante”.

Isto quer dizer “muitas cirurgias que são proteladas”, consultas, tratamentos e exames que não são realizados no tempo adequado, o que considerou “gravíssimo”.

Por isso, defendeu, “é fundamental que toda a população cumpra as normas da DGS e que não se crie uma expectativa ou que não se alivie as medidas por conta da vacinação”, que é “um processo para vários meses”.

LUSA

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