[et_pb_section admin_label=”section”][et_pb_row admin_label=”row”][et_pb_column type=”4_4″][et_pb_post_title admin_label=”Post Title” title=”on” meta=”off” author=”on” date=”off” […]

Cogitações Vadias (Parte III )

[et_pb_section admin_label=”section”][et_pb_row admin_label=”row”][et_pb_column type=”4_4″][et_pb_post_title admin_label=”Post Title” title=”on” meta=”off” author=”on” date=”off” categories=”off” comments=”off” featured_image=”off” featured_placement=”above” parallax_effect=”on” parallax_method=”on” text_orientation=”center” text_color=”dark” text_background=”off” text_bg_color=”rgba(255,255,255,0.9)” title_all_caps=”off” use_border_color=”off” border_color=”#ffffff” border_style=”solid” custom_css_post_image=”float: left;|| width: 180px;|| height:190px;|| object-fit: cover;|| margin-top: 30px;|| margin-right: 30px;|| margin-bottom: 10px;|| margin-left: 0;|| max-width: 180px;|| border: 3px solid #999999;|| border-radius: 150px;|| -webkit-filter: grayscale(100%);|| filter: grayscale(100%);” module_bg_color=”rgba(255,255,255,0)”] [/et_pb_post_title][/et_pb_column][/et_pb_row][et_pb_row admin_label=”Row” make_fullwidth=”off” use_custom_width=”off” width_unit=”on” use_custom_gutter=”off” padding_mobile=”off” allow_player_pause=”off” parallax=”off” parallax_method=”off” make_equal=”off” parallax_1=”off” parallax_method_1=”off” parallax_2=”off” parallax_method_2=”off” column_padding_mobile=”on” custom_css_main_1=”position: relative;||”][et_pb_column type=”1_4″][et_pb_team_member admin_label=”Person” name=”Acácio Gouveia” position=” Médico de Família” image_url=”https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2016/10/acacio-gouveia-1.jpg” animation=”off” background_layout=”light” use_border_color=”off” border_color=”#ffffff” border_style=”solid” module_class=”ds-thumbnail-blog-red” header_font=”|on|||” header_font_size=”16″] [/et_pb_team_member][/et_pb_column][et_pb_column type=”3_4″][et_pb_text admin_label=”Text” background_layout=”light” text_orientation=”left” use_border_color=”off” border_color=”#ffffff” border_style=”solid”]

A DGS está de parabéns!

“(….) nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado.”
James Baldwin

No meu tempo havia nos partidos políticos um departamento chamado “agiporp”, semi-acrónimo de “agitação” e “propaganda”. Entenda-se por propaganda a difusão das ideias sob a forma de textos estruturados, participação em debates ou sessões de esclarecimento, defendendo a sua bondade pela via da razão. Quanto à agitação, que incluía as palavras de ordem, os panfletos, as manifestações, os cartazes, ou os comícios, tinha como objetivo mobilizar para a ação pela via da emoção. A promoção da mensagem política marchava sobre estas duas pernas, ambas imprescindíveis.
De certo modo, a agitação era sinónimo de publicidade, que se não fora eficiente, malgrado os conteúdos serem amiúde tontos, não seria negócio de muitos milhões em todo o mundo. Quer se queira quer não, o homem não é um animal racional, mas só parcialmente racional. Se quiserem será um ser emo/racional ou razo/emocional, mas não exclusivamente racional. Por isso a publicidade, que mexe na componente não racional da mente, é tão eficaz.
Assim se explica o insucesso da promoção de estilos de vida saudável porque se limita quase exclusivamente à divulgação de informação (ou seja: propaganda), olvidando a agitação (quer dizer a publicidade). Propaganda pura e dura, por muito bem estruturada e apresentada que esteja, não tem efeito expressivo na adesão ao consumo e consequente dependência. Isto é já sobejamente sabido. Acredito que seja bom adubo para ações futuras e essas sim relevantes: aumentos significativos de preços e medidas proibicionistas. Mas não mais que isso. As pessoas ao interiorizarem conhecimento não alteram comportamentos, mas fundamentam nesse conhecimento a aceitação dos tais meios efetivos que alteram comportamentos.
Voltando ao tabagismo, constatamos com facilidade que os legisladores e governantes não estão apostados em combate-lo, mas sim em fingir que o fazer, apostando em medidas anódinas. Portanto, resta a educação para a saúde e há aproveitá-la da melhor maneira possível e evitar cair na armadilha da informação insonsa. Assim sendo, regressemos à agiprop. Como vimos, para a capacitação do cidadão não basta aumentar a literacia (propaganda), há que apostar na agitação. Foi o que fez a atual liderança da DGS. Sabendo-se que em Portugal a guerra ao tabaco (em prole da saúde, recordemos) é um fiasco mal disfarçado e que o aumento de mulheres fumadoras é particularmente preocupante, elegeu-se como alvo prioritário esta população. Combater a emergente epidemia do tabagismo junto das jovens portuguesas explicando-lhes apenas os prejuízos para a saúde, as repercussões nos filhos gerados sob efeito do tabaco e na dificuldade em suspender o consumo durante a gravidez, é estratégia destinada à mais frustrante derrota.
Será bom lembrar os mais distraídos que neste particular não se aplica o aforismo dos evangelhos que enaltece o regresso do filho pródigo. Quero dizer: o cinquentão diabético que deixa de fumar após enfarto de miocárdio pouco ganha com a abstinência; já a adolescente que renegue os cigarros contabilizará ganhos de monta. No primeiro obtemos apenas a estabilização de danos irreversíveis, na segunda consegue-se a evicção de malefícios para ela e para a descendência. Não esqueçamos que os filhos das fumadoras se arriscam a carregar para o resto das suas vidas as marcas do envenenamento a que foram submetidos durante a gestação. A recente campanha antitabágica visa o alvo certo e parece-me não estar ferida da costumeira pusilanimidade que castra as alocuções de circunstância proferidas nos dias do não fumador e quejandos. Tem o formato indicado e foi gizada pelos profissionais certos: publicitários. Defendo que pôr profissionais de saúde a fazer propaganda antitabágica, nomeadamente a populações juvenis, é tão desadequado como encarregar os criativos de marketing de tratar doentes com DPOC.
O facto do spot agora anunciado ter desencadeado protestos abona em favor da sua efetividade. Significa que incomodou a Big Tabacco ao inferir com um nicho de mercado em ascensão. A Liga Portuguesa Pró-Cancro & Patologias Associadas veio imediatamente a público denegrir a campanha sob a tosca acusação de culpabilizar as fumadoras e ferir a igualdade de géneros. O repetido protagonismo da deputada Isabel Moreira sempre que o tabaco é visado legitima suspeitas sobre a sua lealdade para com a Constituição, concretamente para com o artigo 64. Para abrilhantar a atuação desta deputada, o BE disponibilizou um coro entoando o refrão do sexismo, não fosse a versão à capella soar pouco convincente. As vezes dou comigo a pensar se estes deputados não acham que o SNS se fortalece com o aumento de doentes!
A menos que os ofendidos contestatários queiram importar de além Atlântico o conceito de “verdades alternativas”, não podem negar a dura realidade: as mulheres que fumam durante a gravidez estão a expor os seus filhos a riscos para a saúde tremendos e, após o nascimento, perpetuam um comportamento nefasto ao servirem de (mau) exemplo. Ainda que sem dolo, a verdade é que as fumadoras são responsáveis pelos danos diversos infligidos à sua descendência. Branquear o efeito especialmente nefasto do tabaco nas mulheres é desonestidade que só interessa à industria tabaqueira.
Enfim! Já que o nível da argumentação baixou a este nível permito-me botar opinião e sugerir que a campanha da DGS cavalgue a onda feminista da Sra. deputada e exponha o cariz duplamente atentatório da condição feminina intrínseco ao tabaco. Em primeiro lugar, temos o efeito anti estrogénico; sendo os estrogénios as hormonas femininas por definição, arremeter contra estas simpáticas substâncias é ferir o âmago da feminilidade. Por outro lado, fumar tem consequências perversas na ereção masculina, portanto é atentatório do direito à satisfação das parceiras dos fumadores.

 

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section]
ler mais

RECENTES

ler mais