2 Out, 2019

Bactérias podem combater inflamação intestinal causada pela carne vermelha

Pesem as notícias contraditórias que amiúde nos chegam, são muitos os estudos que mostram que a ingestão regular de carne vermelha está associada a um maior risco de desenvolvimento de cancro do cólon e aterosclerose.

Uma equipa da Universidade da Califórnia, EUA, descobriu um mecanismo que poderá levar a que o consumo regular de carne vermelha não seja tão danoso para o organismo humano.

Este efeito negativo acontece porque ao contrário da maioria dos mamíferos, os humanos não produzem um hidrato de carbono de nome Neu5Gc, pelo que qundo ingerimos  carne vermelha, este hidrato de carbono acumula-se nos tecidos e é tratado pelo sistema imunitário como um invasor, causando inflamação, que por sua vez está associada a um maior risco de desenvolvimento de cancro .

A descoberta agora anunciada revela que as bactérias intestinais utilizam enzimas, chamadas sialidases, para retirar o Neu5Gc das células e alimentarem-se dos açúcares subjacentes, libertando assim o hidrato de carbono para a corrente sanguínea.

Para o estudo, foram analisados ratos geneticamente modificados para refletir a biologia humana para determinar de que forma a dieta influencia o microbioma intestinal. Uns foram alimentados com carne rica em Neu5Gc, outros com duas dietas diferentes sem esse hidrato de carbono.

Os animais alimentados com carne mostravam menos diversidade de bactérias intestinais, excetuando um tipo de bactéria que se alimenta de hidratos de carbono, as bacteroides.

Mais tarde os investigadores reproduziram em laboratório uma enzima sialidase derivada das Bacteroides. Ao aplicá-la em carne vermelha verificaram que esta também extraía a Neu5Gc.

Os investigadores acreditam que esta pode ser uma forma de criar um probiótico ou prebiótico que elimine o hidrato de carbono da carne antes de ser consumida, de forma a eliminar o risco de inflamação.

SO/“Nature Microbiology”

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