<i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Avaliação funcional respiratória
Médica especialista em Imunoalergologia, coordenadora de Imunoalergologia, Hospital CUF Tejo, Lisboa, - Responsável pelo Laboratório de Fisiopatologia Respiratória, docente afiliada, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa

Avaliação funcional respiratória

As doenças respiratórias crónicas, como a Asma e a DPOC, têm um peso muito significativo na atividade dos Cuidados de Saúde Primários. Neste contexto, a espirometria com prova de broncodilatação é um exame essencial, não apenas para diagnóstico, como para monitorizar a evolução da doença e as intervenções terapêuticas. No próximo Allergy & Respiratory Summit, abordaremos a interpretação prática destes exames, desmistificando algoritmos complexos e focando no essencial para a decisão clínica.

Quando e como pedir? A espirometria com prova de broncodilatação deve ser solicitada perante sintomas respiratórios (tosse, dispneia, pieira), fatores de risco (tabagismo, exposição ocupacional) e para monitorizar doenças ou o risco cirúrgico. É importante instruir o doente sobre a preparação: não fumar e evitar exercício vigoroso 1 hora antes, usar roupas que não restrinjam o tórax e abdómen, e suspender a terapêutica inalada temporariamente (4-6h para SABA/SAMA; 24-36h para LABA; 36-48h para LAMA). Contudo, se o objetivo for monitorizar a eficácia terapêutica, a medicação habitual deve ser mantida.

A Qualidade antes dos números: O erro mais comum é interpretar os números sem validar as curvas. Uma espirometria só é interpretável se cumprir critérios de aceitabilidade e repetibilidade. O Médico de Família deve analisar os gráficos: a curva débito-volume tem início rápido e atinge um pico? A manobra foi conseguida sem tosse ou outros artefactos e sem inspiração precoce? A expiração manteve-se até atingir um plateau na curva volume-tempo? Se a morfologia das curvas for inadequada, os valores numéricos podem induzir em erro.

Algoritmo de Interpretação Simplificado: A interpretação atual afasta-se dos valores fixos e aproxima-se da medicina de precisão, utilizando o Limite Inferior da Normalidade (LLN) e z-scores.

Existe Obstrução? Olhamos para a relação FEV1/FVC. Se estiver abaixo do LLN (e não apenas <0,70 fixo), confirma-se uma alteração ventilatória obstrutiva.

Qual a Gravidade? As normas mais recentes (ERS/ATS) classificam a gravidade baseada em z-scores do FEV1: ligeira (>-2.5), moderada (-2.5 a -4.0) ou grave (<-4.0).

Existe Restrição? Se a FVC estiver diminuída (<LLN), estamos perante uma possível restrição. Importa recordar que a a espirometria apenas sugere restrição; a confirmação exige sempre a medição dos volumes pulmonares estáticos (Pletismografia) para avaliar a Capacidade Pulmonar Total (TLC).

Prova de Broncodilatação: Considerada positiva se houver aumento do FEV1 ou da FVC>10% face ao valor teórico. Este critério atualizado é vital para distinguir fenótipos e ajustar terapêuticas.

Dominar a avaliação funcional respiratória permite diagnosticar precocemente, otimizar o tratamento e reduzir o risco futuro, e também referenciar adequadamente para consulta hospitalar. No Summit, vamos transformar a teoria em prática com casos clínicos reais (“Hands-On”), consolidando a confiança na interpretação destes exames essenciais.

 

Notícia relacionada 

Allergy and Respiratory Summit 2026: Atualização e formação contínua

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais