11 Dez, 2020

Australia suspende teste de vacina por causar “falsos positivos” em testes HIV

Embora não tenham sido observados efeitos adversos nos testes de fase 1, os dados científicos revelaram que os anticorpos desenvolvidos interferiram no diagnóstico de HIV.

A empresa australiana de biotecnologia CSL anunciou na quinta-feira a suspensão dos testes da vacina anti-covid-19 desenvolvida com a Universidade de Queensland, após um número indeterminado de participantes na fase 1 dar “falsos positivos” em testes de HIV.

Segundo adianta a agência noticiosa EFE, a CSL esclareceu que, embora não tenham sido observados efeitos adversos nos testes de fase 1, iniciados em julho passado e dos quais participaram 216 pessoas, os dados científicos revelaram que os anticorpos desenvolvidos neste processo interferiram no diagnóstico de HIV, abrindo caminho para “falsos positivos”.

Numa declaração à Australian Stock Exchange (ASX) para anunciar esta decisão, que foi tomada com o governo australiano, o diretor científico da CSL, Andrew Nash, vincou que no desenvolvimento inicial de uma vacina há sempre um “risco de falha”.

O desenvolvimento adicional da vacina UQ/CSL v451 – que foi demonstrado na fase 1 ter “uma resposta robusta” ao novo coronavírus, bem como “um forte perfil de segurança’ – exigiria mudanças significativas no projeto, admitem especialistas.

“Isso ia atrasar o projeto 12 meses ou mais. Foi uma decisão muito difícil de adotar, mas atualmente há uma necessidade urgente de se ter uma vacina e essa é a prioridade”, comentou Paul Young, um dos líderes do projeto de vacina da Universidade de Queensland.

Após a decisão, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, declarou, em Camberra, que o seu governo autorizou um aumento de 33,8 milhões para 53,8 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford e de 40 para 51 milhões de doses da vacina Novavax.

“As vacinas da AstraZeneca serão, é claro, produzidas pela CSL em Melbourne”, disse Morrison, insistindo que “saúde e segurança têm sido o ponto de partida para todas as respostas à pandemia covid-19.” .

O governo australiano, que planeava fornecer a vacina covid-19 desde março, também tem um acordo com a BioNtech-Pfizer, para adquirir e transportar 10 milhões dessa vacina, que precisa ser mantida a 70 graus abaixo de zero.

A Austrália, onde foi atribuído ênfase aos sistemas de rastreamento, acumulou quase 28 mil infecções desde o início da pandemia, incluindo 908 mortes, a maioria devido ao surto ocorrido em Melbourne.

SO/LUSA

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