3 Jun, 2024

Aumento de cirurgias vaginais relacionada com pressão das redes sociais

A crescente procura de cirurgias vaginais (labioplastias) por adolescentes e mulheres jovens pode estar relacionada com pressão dos companheiro(a)s, redes sociais e filmes pornográficos, afirmaram à Lusa psicólogos, que defendem um acompanhamento antes destes procedimentos.

A crescente procura de cirurgias vaginais (labioplastias) por adolescentes e mulheres jovens está a suscitar preocupações entre psicólogos, que apontam para a pressão dos companheiros, redes sociais e filmes pornográficos como fatores determinantes. Estes especialistas defendem a necessidade de um acompanhamento psicológico antes de se avançar com estes procedimentos.

A psicóloga Ana Paulino, que trabalha na área da dor, manifestou a sua preocupação com a saúde mental das jovens que se submetem a labioplastias por motivos exclusivamente estéticos.

Paulino acredita que a influência das redes sociais, a acessibilidade à pornografia e a proliferação de clínicas de estética nos últimos anos são as principais causas do aumento na procura por estas cirurgias. “Preocupa-me saber o que está por detrás desta decisão, a nível de saúde mental. Também me preocupa a desinformação e a influência dos media, bem como a atuação de clínicas que induzem pessoas com baixa autoestima a acreditar que os seus corpos não estão como deveriam,” afirmou.

A psicóloga destacou o paradoxo dos tempos modernos: embora haja uma maior liberdade nas escolhas corporais, a indústria estética pode transformar-se numa “prisão da autoestima”.

Paulino alertou ainda para os “riscos emocionais associados” a estas intervenções. “Antes de avançar para uma cirurgia deste tipo, é prudente e sensato avaliar se a pessoa está ciente da imensa e natural diversidade estética das vulvas em termos de cores, tamanhos, formas, pilosidade e outros aspetos,” sublinhou. A especialista defendeu que estes procedimentos devem ser realizados de forma consciente, informada e consentida, alinhados com as necessidades, desejos e valores de quem os procura.

A psicóloga Raquel Barbosa, docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, reforçou que estas cirurgias podem esconder problemas de baixa autoestima e falta de amor-próprio. Defendeu ainda que todas as clínicas que realizam estas cirurgias devem oferecer acompanhamento de saúde mental e avaliação psicológica às jovens interessadas, para identificar possíveis problemas mentais.

A investigadora da Universidade do Porto citou dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, que revisou vários estudos sobre estas cirurgias, concluindo que menos de metade das mulheres que as procuram ficam satisfeitas com o resultado. “Estas cirurgias confirmam que questões de saúde mental, autoestima e autoimagem não se resolvem com uma cirurgia estética,” afirmou.

A facilidade de acesso a estas cirurgias, combinada com a influência das redes sociais, aumenta a disseminação de ideais de beleza muitas vezes irreais e manipulados, observou Barbosa. “A autoestima vem de casa, do berço,” enfatizou a psicóloga, acrescentando que as crianças devem ser valorizadas como pessoas, independentemente da forma do corpo.

LUSA

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