27 Jun, 2025

Atraso no INEM custou vida a vítima de enfarte

Relatório da IGAS confirma que socorro tardio impediu tratamento vital e aponta responsabilidades a profissionais do CODU.

Atraso no INEM custou vida a vítima de enfarte

A primeira ambulância do INEM a chegar junto do utente que morreu por enfarte em Pombal, a 4 de novembro de 2024, demorou uma hora e 26 minutos, ultrapassando a chamada “janela de oportunidade” para a realização de uma angioplastia coronária, revelou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

De acordo com o relatório a que a agência Lusa teve acesso, o óbito poderia ter sido evitado caso o socorro tivesse ocorrido em tempo útil, o que teria permitido encaminhar a vítima por uma Via Verde Coronária para um hospital da região.

Os especialistas ouvidos pela IGAS explicam que o procedimento de angioplastia deve ser realizado até 120 minutos após os primeiros sintomas, e essa margem foi totalmente ultrapassada.

A IGAS considera censurável o comportamento da Técnica de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH) do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Coimbra, acusando-a de não ter atuado com a urgência exigida num caso de elevada gravidade. Também o médico regulador que acompanhava a situação é criticado por não ter acionado a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) em tempo útil, o que é classificado como um “comportamento omissivo” e “juridicamente censurável”.

“O que sobressai com nitidez deste comportamento profissional é, mais do que tudo, um certo desconhecimento do que é a dinâmica da Emergência Médica”, afirma a inspeção, sublinhando ainda um “desprendimento e alheamento dos deveres funcionais” por parte do médico.

A primeira chamada foi feita às 13h12, demorando mais de 10 minutos a ser atendida. A ambulância SIV de Pombal foi acionada apenas às 14h33 e a primeira observação médica ocorreu às 14h48. A VMER de Leiria, por sua vez, só chegou ao local às 15h02 — uma hora e 50 minutos após o pedido inicial de socorro.

O relatório aponta que, apesar da greve dos técnicos de emergência e da administração pública nesse dia, os profissionais tinham obrigação de agir com diligência. A IGAS admite responsabilização disciplinar de ambos os envolvidos e alerta para “ineficiências graves” no sistema.

Após a divulgação das conclusões, o INEM anunciou a abertura de um processo disciplinar à TEPH para apuramento de responsabilidades e eventual aplicação de medidas.

Este é o único caso, entre 12 inquéritos abertos pela IGAS sobre mortes em 2024 alegadamente ligadas a atrasos no atendimento do CODU, em que ficou comprovada a relação direta entre o óbito e o socorro tardio.

SO/Lusa

Notícia Relacionada

IGAS critica falhas no socorro do INEM

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais