17 Abr, 2018

APH alerta para a importância do diagnóstico precoce dos distúrbios hemorrágicos na mulher

“O diagnóstico de um distúrbio hemorrágico na mulher, seja ele associado ao défice de um dos fatores de coagulação, ao défice do FvW (Doença de von Willebrand), a défices de agregação plaquetária (Trombastenia de Glanzmann) ou outras alterações plaquetárias, é o momento decisivo para uma tomada de consciência conjunta

Por ocasião do Dia Mundial da Hemofilia que se assinala no dia 17 de abril, o Comité de Mulheres da Associação Portuguesa de Hemofilias e outras Coagulopatias Congénitas (APH) alerta para a importância do diagnóstico precoce dos distúrbios hemorrágicos nas mulheres, de forma a possibilitar o tratamento ou profilaxia adequados e o consequente encaminhamento para uma consulta de imuno-hematologia, onde as mulheres portadoras de distúrbios hemorrágicos passem a ser acompanhadas.

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico raro, congénito, no qual uma alteração genética provoca a ausência ou a baixa concentração de uma determinada proteína no sangue (FVIII na hemofilia A e FIX na hemofilia B) o que faz com que o processo da coagulação não ocorra à velocidade normal, pelo que um hemofílico sangra durante mais tempo, até que a hemorragia seja estancada. Enquanto a forma grave da doença afeta quase exclusivamente os homens, os problemas experimentados por mulheres que possuem o “gene alterado” só recentemente começam a ser reconhecidos.

Os homens com níveis de fator de coagulação superiores a 5% são diagnosticados com hemofilia ligeira; no entanto, as mulheres com índices semelhantes de doseamento de fator são designadas simplesmente como “portadoras” do gene. Esta designação, não aplicada aos homens, tem uma conotação de “não doença”, que aligeira e até menospreza os possíveis sintomas ou complicações hemorrágicos nas mulheres – hemorragia ginecológica (períodos menstruais de duração superior a 7 dias) e obstétrica (parto e puerpério); hemorragia grave após extração dentária, cirurgia ou trauma – havendo tendência a procurar outras causas, que não as associadas à presença de um distúrbio hemorrágico, escamoteando assim a verdadeira origem do problema, e protelando o diagnóstico correto.

“O diagnóstico de um distúrbio hemorrágico na mulher, seja ele associado ao défice de um dos fatores de coagulação, ao défice do FvW (Doença de von Willebrand), a défices de agregação plaquetária (Trombastenia de Glanzmann) ou outras alterações plaquetárias, é o momento decisivo para uma tomada de consciência conjunta (da própria, sua família e médico assistente), de forma a garantir o acompanhamento correto da sua condição, acautelar possíveis complicações e impedir o incorrer em riscos desnecessários”, explica Miguel Crato, Presidente da APH.

Já Ana Pastor, coordenadora do Comité de Mulheres da APH, defende que “a valorização e esclarecimento das portadoras de coagulopatias é um objetivo primordial. Estamos disponíveis para ajudar jovens e mulheres portadoras do gene da hemofilia ou de outros défices de coagulação, disponibilizando o apoio e informações necessários para lidar com o impacto que esta condição pode ter tanto na sua saúde como na qualidade de vida, para que as mulheres com distúrbios hemorrágicos vivam uma vida plena, ativa e segura”.
Para mais informação sobre hemofilia e os distúrbios hemorrágicos nas mulheres, consulte http://aphemofilia.pt/

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