2 Fev, 2018

Afinal, os cigarros eletrónicos também provocam cancro

Um estudo revela que as células humanas expostas ao vapor do tabaco eletrónico sofrem mutações e transformam-se em células cancerígenas

Quando começaram a ser vendidos, os cigarros eletrónicos foram apresentados como uma alternativa ao tabaco tradicional. Um incentivo para os que queriam deixar de fumar e uma outra forma de manter o vício para aqueles que queriam poupar algum dinheiro.

Contudo, a ideia de que este tipo de cigarros não faz mal parece estar a cair por terra. Apesar de não existirem ainda estudos que comprovem os efeitos do tabaco eletrónico a longo prazo – já que este só é vendido há cinco anos -, surge agora um trabalho de investigação, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, em que os cientistas alertam para os potenciais danos do vapor dos cigarros eletrónicos no nosso ADN, ou seja, danos que provocam cancro.

Na estrutura destes cigarros, a nicotina é distribuída em forma de vapor, que resulta do aquecimento de uma solução de propilenoglicol ou glicerina vegetal, sabores e outros aditivos inócuos.

Deste modo, o utilizador acaba por inalar este químico sem substâncias cancerígenas. Certo? Pode não ser bem assim. A equipa liderada por Moon-Shong Tang, da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, descobriu que os ratinhos expostos a esses vapores tinham níveis elevados de danos no ADN dos pulmões, do coração e da bexiga em comparação com os ratinhos expostos a ar sem esses compostos. Nos primeiros ratinhos também se observou uma redução da atividade reparadora do ADN, bem como níveis mais baixos de certas proteínas reparadoras do ADN nos pulmões.

Para além de ratinhos, os investigadores utilizaram também células humanas dos pulmões e da bexiga. E o resultado confirmou-se. Expostas a uma substância que compõe os cigarros eletrónicos, a cetrona nitrosamina, as células tiveram uma taxa de mutações genéticas mais elevada, assim como uma alta taxa de transformação em células cancerígenas – que ao invadirem os órgãos, originam o cancro.

“É assim possível que o vapor dos cigarros eletrónicos possa contribuir para o cancro dos pulmões e da bexiga nos humanos, assim como para doenças no coração”, alertam os cientistas. Mesmo assim, os investigadores salientam que o vapor desses cigarros eletrónicos é menos cancerígeno do que o tabaco convencional.

 

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