26 Dez, 2018

Estado paga novo tratamento para doentes com atrofia muscular espinal

Governo aprovou financiamento de 10 milhões de euros por ano para o “primeiro medicamento” destinado a tratar “várias dezenas de doentes” com atrofia muscular espinhal. Doença afeta cerca de 110 pessoas em Portugal.

Estado paga novo tratamento para doentes com atrofia muscular espinal

“O Ministério da Saúde autorizou o financiamento do primeiro medicamento para a atrofia muscular espinhal 5 q, uma doença neuromuscular rara que causa atrofia e fraqueza muscular”, pode ler-se no comunicado do ministério da Saúde.

Em causa está “o medicamento Spinraza”, que vai poder ser utilizado pelos “doentes dos tipos I, II e III” que padecem desta doença neuromuscular rara. O ministério orçou o investimento em “cerca de 10 milhões de euros por ano” e quantificou genericamente que está prevista a “inclusão de várias dezenas de doentes no tratamento”.

Para além de causar atrofia e fraqueza muscular, a doença provoca dificuldades respiratórias. A forma mais grave da doença (o tipo I) é registada em bebés, que, habitualmente sem o tratamento indicado, dificilmente chegam a completar dois anos de vida.

“A aprovação deste medicamento antecipa e alarga a proposta aprovada no parlamento em sede de Orçamento do Estado, que determina o tratamento de todos os doentes de tipo I e II nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde”, realçou o ministério.

A luta pela introdução do fármaco em Portugal (que em Espanha já está disponível mais de um ano), tem sido impulsionada pela Associação Portuguesa de Neuromusculares. Alguns pais de crianças com a doença recolheram mais de quatro mil assinaturas para uma petição que conseguiram levar ao Parlamento.

Até agora, o medicamento estava apenas disponível de forma condicionada: ou seja, apenas para alguns doentes e mediante uma autorização excecional, no âmbito de um programa de acesso precoce sem custos para o estado. No entanto, a partir de 2019, nem todas as pessoas referenciadas com a doença terão acesso ao tratamento, segundo avança o DN. Cada doente terá de fazer um exame de modo a verificar se vai beneficiar (ou não) do fármaco.

O medicamento, produzido pela multinacional farmacêutica Biogen, consegue fazer com que o organismo produza uma proteína que os doentes têm em falta no seu sistema nervoso central.

A tutela da Saúde considerou ainda que, com este investimento, está a dar “um sinal claro” do seu “empenho em garantir o acesso aos medicamentos de que os cidadãos necessitam” e que está “na primeira linha do investimento em inovação”. A mesma fonte referiu que a avaliação feita ao fármaco pelo Infarmed detetou “benefícios adicionais face aos anteriores tratamentos”, que apenas se destinavam aos sintomas da doença, como a atrofia ou a fraqueza muscular.

O ministério sublinhou que a Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN) foi envolvida” neste processo e que os doentes que integrara a fase de avaliação foram “tratados através de autorizações de utilização especial (AUE), parte das quais no âmbito de um Programa de Acesso Precoce (PAP)”, num processo “sem custos para o Estado”.

“A equidade no acesso a este tratamento fica garantida, bem como a monitorização contínua da sua efetividade pelo Infarmed, à semelhança do que aconteceu com a hepatite C e através de financiamento centralizado”, considerou o organismo governamental.

Saúde Online / Lusa

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