Verbas para construção de ala pediátrica do hospital de São João continuam bloqueadas

Ministro da Saúde tinha garantido que a situação estaria resolvida até ao final de abril mas o hospital de São João continua sem autorização da Saúde e das Finanças para movimentar os quase 20 milhões de euros que tem em conta.

Verbas para construção de ala pediátrica do hospital de São João continuam bloqueadas

Apesar das garantias do ministro da Saúde e também do ministro das Finanças de que o dinheiro necessário para a construção da nova ala pediátrica do hospital estaria disponível em breve, a verdade é que o presidente do conselho de administração do São João, António Oliveira e Silva, afirmou hoje que as verbas ainda não foram desbloqueadas.

“O ponto de situação em relação ao desbloqueamento de verbas é o mesmo desde que começámos com este processo”, afirmou António Oliveira e Silva na comissão parlamentar de Saúde, onde foi hoje ouvido, a pedido do PCP e do PSD, sobre os problemas existentes no Hospital de S. João.

O responsável garantiu que tem, desde o final do ano passado, 19,8 milhões de euros em conta (um valor inferior aos 22 milhões que o governo conta gastar) mas que, enquanto não receber autorização dos ministérios das finanças e da saúde, não pode movimentar esse dinheiro, o que impossibilita o lançamento do concurso para a empreitada. “Faz-me lembrar quando era miúdo, que os meus pais e os meus padrinhos punham-me dinheiro na conta e eu estava cheio de dinheiro, mas não podia gastá-lo”, afirmou António Oliveira e Silva.

Em 16 de abril, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse que os procedimentos para avançar com a construção da nova ala pediátrica do hospital seriam desbloqueados no espaço de duas semanas, garantindo que o dinheiro estava disponível.

“O Centro Hospitalar de São João tem um centro pediátrico que é único na assistência pediátrica na região norte, não é substituível, não é transplantável”, frisou, para explicar que os serviços pediátricos não poderão ser temporariamente deslocalizados para outro hospital.

Questionado pelo deputado Moisés Ferreira, do BE, e pela deputada do PCP, Carla Cruz, sobre a reunião com o Ministério das Finanças, António Oliveira e Silva disse que foi uma “reunião informativa” e que foi encarada com “a maior normalidade”.

Fomos convocados pelo Ministério das Finanças para uma reunião informativa sobre o projeto e como se garantia a assistência às crianças durante as obras”. Depois disso, não houve mais nenhum contacto deste ministério, o que decorreram foram algumas reuniões técnicas no Ministério da Saúde. Mas, salientou, “este não é um compromisso ministerial é um compromisso do Governo”, que “estamos à espera que se concretize”.

A falta de condições de atendimento e tratamento de crianças com doenças oncológicas foi denunciada por pais de crianças doentes que são atendidas em ambulatório e também na unidade do ‘Joãozinho’, para onde as crianças são encaminhadas quando têm de ser internadas no Centro Hospitalar de São João.

Os pais denunciaram que havia crianças a serem tratadas no corredor, o que António Oliveira e Silva nega, adiantando que houve uma “situação esporádica” de uma criança que teve de ser tratado num espaço que parece um corredor, mas que não é de passagem, porque a sala de tratamento estava cheia, mas assegurou que foram ponderados todos os riscos e benefícios.

Elevados tempos de espera e falta de enfermeiros

Os deputados também levantaram a questão dos elevados tempos de espera para algumas consultas de especialidade à qual o responsável explicou que se devem ao aumento da procura, com a livre escolha dos utentes, e da produção.

“Houve um aumento de custos de produção de 16 milhões de euros e os proveitos diminuíram 13 milhões no mesmo período. Em junho de 2016 houve a publicação do diploma que garantiu o livre acesso. Teoricamente estamos de acordo com a opção, o que acontece é que de um dia para o outro o CHSJ viu-se com mais 2500 pedidos de primeiras consultas. Ou temos mais recursos físicos e humanos ou será impossível dar uma resposta tempestiva a todos os que nos procuram”, salientou.

Apontou ainda a diminuição dos recursos humanos entre 2015 e 2017, afirmando que o centro hospitalar tem mais médicos e menos enfermeiros, adiantando que se o pedido de 170 enfermeiros for autorizado, a situação será resolvida num tempo razoável.

Saúde Online

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