5 Nov, 2026

Hospital São José com mais 30 camas e equipa reforçada na urgência geral

Em agosto, o diretor do serviço de urgência do Hospital São José tinha manifestado intenção de abandonar o cargo se os doentes continuassem a não ter "tratamento digno", apontando a falta de recursos para assegurar o internamento de quem precisa.

Hospital São José com mais 30 camas e equipa reforçada na urgência geral

As urgências do Hospital de São José, em Lisboa, têm desde o início da semana uma nova unidade de observação, com 30 camas, acompanhada de um reforço da equipa, anunciou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS). Em comunicado, a ULS São José explica que a entrada em funcionamento da nova unidade foi acompanhada de um reforço da equipa, com a contratação de mais três médicos, 19 enfermeiros, nove técnicos auxiliares de saúde e três assistentes técnicos.

Com esta expansão – explica a unidade -, a urgência geral polivalente passa a contar com 14 salas de observação, face às cinco que existiam anteriormente, melhorando a capacidade de resposta e as condições de acolhimento dos utentes. Segundo a administração, esta ampliação assume particular relevância na resposta aos utentes que, após observação no serviço de urgência, aguardam vaga para internamento, reforçando a capacidade de acompanhamento clínico e a continuidade dos cuidados.

Em declarações à Lusa, o presidente do Conselho de Administração da ULS São José, Miguel Paiva, explicou que a intenção é prescindir de todas as estruturas modulares provisórias que na altura da pandemia de covid-19 foram criadas para acolher doentes que aguardam cama de internamento, por exemplo.

Miguel Paiva reconheceu a dificuldade de desativar estas estruturas devido ao volume e à pressão assistencial da ULS, mas sublinhou o esforço em encontrar espaços alternativos como os que agora abriram. “Encontrámos aqui um espaço no Hospital de São José, que foi possível reabilitar, e criámos uma área de internamento com 30 camas, precisamente para esses doentes”, explicou, acrescentando: “É um complemento à sala de observações, enquanto os doentes aguardam a sua transferência para as enfermarias dos vários serviços”.

Em agosto, o diretor do serviço de urgência tinha manifestado intenção de abandonar o cargo se os doentes continuassem a não ter “tratamento digno”, apontando a falta de recursos para assegurar o internamento de quem precisa.

Sobre o reforço da equipa, o presidente do Conselho de Administração da ULS São José explicou a intenção era, não apenas criar um novo espaço, mas dar-lhe condições para que pudesse funcionar plenamente. “Houve um robustecimento da equipa para que não fosse apenas criado um novo espaço, sem a componente humana que o possa fazer funcionar em plenitude, mas para que isso fosse feito de forma harmonizada”, explicou.

A Urgência do São José funciona com o modelo de Centro de Responsabilidade Integrado, com equipas dedicadas e incentivos na remuneração, mas os resultados são afetados pela incapacidade de colocar os doentes onde precisam. Como exemplo, Miguel Paiva disse que, em três dias, passaram por estas novas 30 camas 58 doentes. Quatro acabaram por ficar porque são casos sociais.

O responsável explicou igualmente que a ULS está a trabalhar em duas frentes: na capacidade instalada e no funcionamento e eficácia dos serviços, para tentar fazer reduzir o tempo médio de permanência dos utentes, que este ano aumentou.

SO/LUSA

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