5 Nov, 2026

Sindicato dos Médicos denuncia falta de condições em USF Terras da Nóbrega que funciona numa cave

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) refere que a USF Terras da Nóbrega “funciona desde agosto provisoriamente numa cave devido a obras, inicialmente previstas para três semanas, mas que se prolongam há cerca de três meses, sem data de conclusão conhecida”.

Sindicato dos Médicos denuncia falta de condições em USF Terras da Nóbrega que funciona numa cave

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denunciou à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Inspeção-Geral das Atividades da Saúde a falta de condições da USF Terras da Nóbrega, em Ponte da Barca. Em comunicado, o SMN refere que esta unidade de saúde “funciona desde agosto provisoriamente numa cave devido a obras, inicialmente previstas para três semanas, mas que se prolongam há cerca de três meses, sem data de conclusão conhecida”.

A situação, também denunciada à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e ao Ministério da Saúde, coloca “em causa a higiene, a salubridade, a segurança e a dignidade dos utentes e dos profissionais de saúde”, aponta. Segundo o SMN, a USF funciona “numa sala de espera improvisada numa garagem, onde os utentes ficam expostos ao frio e à chuva, gabinetes médicos e outros espaços de trabalho sem janelas ou ventilação adequada, presença de fungos nas paredes e ausência de lavatórios para higienização das mãos nos locais de prestação de cuidados”.

O sindicato diz ter reportado a situação à administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) e à Câmara de Ponte da Barca, em setembro, “sem que, até à data, tenha sido recebida qualquer resposta”, e exige a “transferência urgente da USF Terras da Nóbrega para instalações com condições de segurança, higiene e salubridade compatíveis com a prestação de cuidados de saúde”.

Contactado pela Lusa, o conselho de administração da ULSAM explica que os serviços da USF Terras da Nóbrega “se encontram temporariamente instalados na cave do atual centro de saúde, não estando os utentes e profissionais expostos diretamente ao frio ou à chuva”. “Esta situação decorre de uma intervenção de requalificação que visa melhorar significativamente as condições de trabalho dos profissionais e o conforto e qualidade do atendimento aos utentes. As obras encontram-se já numa fase final, estando a sua conclusão prevista até ao final do ano”, adianta a ULSAM.

No comunicado, o sindicato adianta também ter apresentado ainda uma queixa à Ordem dos Médicos “pela falta de apoio especializado no Hospital de Santa Luzia”, em Viana do Castelo. Segundo o SMN, falta “apoio presencial de gastroenterologia, otorrinolaringologia e urologia durante a noite, aos fins de semana e feriados”, existindo “casos graves em que não foi possível garantir intervenção especializada em tempo clinicamente adequado, incluindo situações com desfechos clínicos adversos”.

Para o SMN, “compete ao conselho de administração da ULS do Alto Minho assegurar a disponibilidade de apoio especializado e circuitos de resposta adequados, garantindo a segurança dos doentes”.

A ULSAM esclarece que “a prestação de cuidados de saúde mantém-se assegurada, apesar dos constrangimentos decorrentes da dificuldade de recrutamento de médicos especialistas”. “A instituição tem promovido a abertura de procedimentos concursais para reforço das equipas, embora nem todas as vagas tenham sido preenchidas”, especifica.

A ULS do Alto Minho reafirma “o seu compromisso com a segurança dos utentes, a qualidade dos cuidados prestados e a melhoria contínua das condições de trabalho dos seus profissionais, mantendo todos os esforços para ultrapassar os constrangimentos existentes com a maior brevidade possível”.

SO/LUSA

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