22 Out, 2026

Vírus shamonda identificado pela primeira vez em humanos após morte de doente em França

Um doente gravemente imunodeprimido morreu, no início de outubro, em França, devido a uma infeção pelo vírus shamonda, até agora nunca identificado em seres humanos. As autoridades francesas garantem que não foi detetado qualquer risco para a população em geral. O vírus foi também recentemente confirmado em Portugal, em animais.

Vírus shamonda identificado pela primeira vez em humanos após morte de doente em França

As autoridades francesas anunciaram esta quinta-feira, 22 de outubro, a morte de um doente gravemente imunodeprimido, no início do mês, devido a uma infeção pelo vírus shamonda, pertencente ao género Orthobunyavirus. Trata-se do primeiro caso de infeção humana documentado.

“Apesar de o vírus shamonda circular há várias décadas em África e na Ásia, nenhum caso em humanos tinha sido documentado até à data. Trata-se, portanto, de um caso excecional, ocorrido num doente severamente imunodeprimido”, esclareceram os Ministérios da Saúde e da Agricultura de França, num comunicado conjunto.

Segundo as autoridades francesas, o doente encontrava-se internado num hospital de Lyon devido a uma doença grave, tendo falecido no início de outubro.

No mesmo comunicado, os dois ministérios sublinham que, “com base nos conhecimentos disponíveis sobre este vírus, não foi identificado, até ao momento, qualquer risco para a saúde da população em geral”.

Em Portugal, a presença do vírus shamonda (SHAV) foi recentemente confirmada, tendo a Ordem dos Médicos Veterinários emitido um alerta a 12 de outubro, na sequência de um pedido da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

“A pedido da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), a Ordem dos Médicos Veterinários divulga a confirmação da deteção do vírus Shamonda (SHAV) em Portugal”, refere a nota publicada no site da Ordem e divulgada nas redes sociais.

O vírus, que pertence ao género Orthobunyavirus e ao serogrupo Simbu, é transmitido principalmente através da picada de pequenos insetos do género Culicoides.

Os bovinos são particularmente suscetíveis à infeção, podendo desenvolver sintomas como febre, diarreia, prostração e diminuição da produção de leite. Nas fêmeas gestantes, a infeção pode ainda provocar abortos e malformações fetais.

Os ovinos e caprinos também podem ser infetados pelo vírus, embora, na maioria dos casos, não apresentem sinais clínicos evidentes.

 

LUSA/SO

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