OMS desaconselha medicamentos e cirurgia para obesidade em crianças com menos de 10 anos
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças com menos de 10 anos com obesidade não sejam tratadas com medicamentos para perda de peso ou cirurgia. Nas primeiras orientações globais para crianças e adolescentes, a OMS admite estas opções a partir dos 10 anos, mas apenas em determinadas condições.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou hoje que crianças com menos de 10 anos com obesidade não sejam tratadas com medicamentos para perda de peso ou cirurgia, defendendo que sejam privilegiadas outras abordagens terapêuticas.
A recomendação integra as primeiras orientações globais da OMS para o tratamento integrado da obesidade em crianças e adolescentes.
Conhecidos nomeadamente pelos nomes comerciais Ozempic, Wegovy ou Mounjaro, os medicamentos da família dos GLP-1, originalmente desenvolvidos para o tratamento da diabetes, são atualmente utilizados para promover a perda de peso, reproduzindo a ação de uma hormona que estimula a insulina e reforça a sensação de saciedade.
Em dezembro de 2025, a OMS tinha recomendado o recurso a medicamentos GLP-1 no tratamento da obesidade em adultos. As novas recomendações são dedicadas ao tratamento da obesidade em menores de 19 anos.
Para os adolescentes dos 10 aos 19 anos, um tratamento “com medicamentos autorizados só pode ser considerado quando um programa de acompanhamento supervisionado, que combine várias abordagens relacionadas com o estilo de vida, não tenha permitido obter os resultados esperados”, recomenda a OMS.
Quanto à cirurgia bariátrica, a organização admite que possa ser considerada, mas “sob determinadas condições rigorosas em adolescentes que sofrem de obesidade grave”.
Em declarações aos jornalistas, Maria Nieves Garcia Casal, do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, explicou que a cirurgia bariátrica pode ser considerada na adolescência perante obesidade grave associada a complicações como diabetes tipo 2 ou hipertensão, desde que o desenvolvimento físico e mental esteja concluído.
Outra condição é que abordagens como a prática de exercício físico e alterações na dieta e no estilo de vida “tenham falhado após seis meses de tratamento”, explicou.
Em 2024, 70 milhões de crianças entre os 5 e os 9 anos e 100 milhões de adolescentes dos 10 aos 19 anos eram afetados pela obesidade em todo o mundo, segundo a OMS.
Entre os 5 e os 19 anos, a prevalência da obesidade registou um aumento acentuado a nível mundial, passando de 2% em 1990 para 8% em 2024.
Segundo a diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, Luz Maria De Regil, a obesidade está a aumentar em todas as regiões, embora “alguns países de rendimento elevado consigam travar um pouco esse aumento”.
LUSA/SO
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