Maioria reconhece importância da vacinação mas desconhece vacinas recomendadas, indica inquérito
Cerca de 64% dos cidadãos não sabe que vacinas estão integradas no Programa Nacional de Vacinação, percentagem que sobe para 76,4% nas pessoas sem doença crónica, refere o estudo “Barreiras da Vacinação em Portugal”, realizado entre 28 de maio e 4 de agosto de 2026.

Cerca de 95% dos inquiridos num estudo nacional reconhecem os benefícios da vacinação, mas a maioria desconhece as vacinas de adultos integradas no Programa Nacional de Vacinação e as recomendações para a sua faixa etária ou condição de saúde.
As conclusões do estudo sobre as barreiras da vacinação em idade adulta e sobre o conhecimento dos portugueses em relação às vacinas recomendadas ao longo da vida mostram “uma população que acredita na vacinação como princípio, uma crença que, no entanto, não se traduz depois numa decisão informada”.
Segundo o inquérito promovido pelo Movimento dos Doentes pela Vacinação (MOVA), que envolveu uma amostra de 1.500 pessoas com 18 ou mais anos, com e sem diagnóstico de doença crónica, 94,4% dos participantes reconhecem os benefícios da vacinação, destacando a “proteção contra doenças graves” e a “imunidade de grupo” como os principais benefícios.
Contudo, 63,9% não sabem que vacinas estão integradas no Programa Nacional de Vacinação (PNV), percentagem que sobe para 76,4% nas pessoas sem doença crónica, refere o estudo “Barreiras da Vacinação em Portugal”, realizado entre 28 de maio e 4 de agosto de 2026.
Metade dos participantes (50,2%) desconhece também as vacinas recomendadas para a sua faixa etária ou condição de saúde, sendo que 41% têm doença crónica.
O desconhecimento é ainda maior relativamente às vacinas para adultos fora do PNV: 90,5% desconhecem a sua existência e 62,1% não conseguem identificar quais gostariam de ver incluídas no futuro.
“A vacinação é um ato de proteção individual e coletiva e as pessoas sabem disso, como mostram os dados. Mas não é possível pedir que se protejam, e que protejam quem as rodeia, através da vacinação, quando lhes falta o conhecimento básico sobre quais as vacinas disponíveis”, afirma José Albino, do MOVA, citado num comunicado que acompanha o estudo.
Entre os participantes que não se vacinam anualmente contra a gripe ou a covid-19, o principal motivo apontado é não se sentirem em risco (38,8%). Metade não considera a vacinação sazonal uma prioridade pessoal, valor que sobe para 67,5% entre as pessoas saudáveis.
Entre os doentes crónicos com vacinas em atraso (7,6% do total), cerca de 45% têm consciência do atraso, mas consideram não ter necessidade de se vacinar.
A maioria (74,9%) nunca ouviu falar dos conceitos “hesitação vacinal” ou “fadiga vacinal”. Ainda assim, 56,8% associam-nos a problemas graves de saúde pública, embora 21,1% admitam nunca ter refletido sobre o impacto da vacinação de terceiros na imunidade de grupo e na proteção comunitária.
Mais de metade (51,3%) não identifica barreiras à vacinação e aqueles que as reconhecem destacam o medo de efeitos adversos (22,3%),a falta de informação (16,1%), dúvidas sobre a eficácia (15,7%), a falta de recomendação médica (10,1%) e a desconfiança nas autoridades de saúde ou na indústria farmacêutica (6,8%).
O contacto com os profissionais de saúde destaca-se como um fator relevante para a vacinação. Enquanto 74,9% dos doentes crónicos referem que o médico assistente aborda o tema em consulta, essa proporção desce para 43,3% entre as pessoas sem doença crónica. Entre os adultos dos 18 aos 35 anos, 21,7% dizem que o médico nunca aborda a vacinação.
O estudo, que será apresentado hoje, em Lisboa, no encontro “Vacinação ao Longo da Vida: Desafios e Oportunidades em Portugal”, promovido pela Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas, fundadora do MOVA, revela ainda que, à exceção da covid-19 (80,3%) e da gripe (53,3%), a toma de outras vacinas nos últimos cinco anos é residual: 7,5% para a pneumocócica, 4,9% para o HPV, 1,5% para o VSR e 1,3% para a Herpes Zóster.
“Este estudo mostra que há ainda muito a fazer quando se trata da vacinação. É urgente que se alargue, em nome da saúde pública, o PNV também à vida adulta, tal como já acontece na infância, e é imperativo o reforço da informação. Só com um programa estruturado, e não apenas com recomendações dispersas que poucos conhecem, se pode pedir às pessoas que assumam a responsabilidade de se vacinar e de proteger quem as rodeia”, conclui José Albino.
SO/LUSA
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