Os desafios de comunicar com o doente – a indústria como ponte entre o consultório e a farmácia
Coach e Training & Development manager na Servier Portugal
16 Set, 2026

Os desafios de comunicar com o doente – a indústria como ponte entre o consultório e a farmácia

A gestão de uma doença crónica não é um evento isolado, mas sim um percurso contínuo que se estende por meses e anos. Ao longo desta jornada, o doente percorre um ciclo constante — um “vai e vem” entre o consultório médico e a farmácia de oficina. Embora estes dois espaços representem diferentes touchpoints e envolvam diferentes interlocutores, o protagonista é rigorosamente o mesmo. É precisamente nesta alternância que reside o maior desafio e a maior oportunidade para o sistema de saúde: a necessidade de criar uma comunicação coerente e complementar.

A realidade atual mostra-nos que, apesar de tratarem a mesma pessoa, o médico e o farmacêutico operam muitas vezes sem uma ligação direta. Esta fragmentação pode gerar nuances comunicacionais que, se não forem levadas em linha de conta, têm potencial para tornar a mensagem menos clara, baralhar o doente e comprometer a adesão deste ao seu tratamento. Em patologias silenciosas e crónicas, como a hipertensão arterial, dislipidemia ou a doença venosa crónica, esta clareza é ainda mais vital. Como costumamos reforçar: “o único tratamento eficaz é aquele que o doente realmente toma”. Para que isso aconteça, a mensagem que sai do consultório tem de encontrar eco e reforço na farmácia.

É aqui que a indústria farmacêutica assume o seu papel mais estratégico: o de ponte. A nossa posição é única porque nos relacionamos diretamente com ambos os profissionais. Mais do que fornecer medicamentos, partilhamos o mesmo propósito fundamental que move médicos e farmacêuticos: colocar o doente no centro da nossa ação. Os doentes não são apenas os destinatários do nosso trabalho; eles são o nosso propósito, e a nossa missão conjunta é a de garantir aos doentes mais vida e melhor qualidade de vida.

Ao interagir com estes dois pilares, a indústria deteta com precisão as “falhas” e as lacunas comunicacionais que o dia a dia acelerado muitas vezes oculta. Identificamos onde o fio condutor se perde e onde a mensagem precisa de ser afinada. Assumir este papel de parceiro de gestão significa converter essa perceção em ações concretas.

O nosso contributo passa pela criação de momentos e fóruns de diálogo que permitam que, no mesmo espaço e ao mesmo tempo, médicos e farmacêuticos possam discutir o “seu” doente. Ao promover estes encontros, a indústria não está apenas a facilitar a formação técnica; está a construir uma linguagem comum. O objetivo é garantir que, entre o diagnóstico e a dispensa, entre a consulta e a toma diária, exista uma harmonia absoluta que proteja o doente e potencie os resultados clínicos. Afinal, uma saúde articulada é a única forma de honrar o compromisso que todos temos com a vida.

 

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