Afinal Não Somos TAS – Técnicos Auxiliares de Saúde, mas sim TAL – Técnicos Auxiliares de Limpeza – TAR – Técnicos Auxiliares de Recados
Presidente da Assembleia Geral da APTAS- Associação Portuguesa dos Técnicos Auxiliares de Saúde

Afinal Não Somos TAS – Técnicos Auxiliares de Saúde, mas sim TAL – Técnicos Auxiliares de Limpeza – TAR – Técnicos Auxiliares de Recados

Até final de 2008, éramos Auxiliares de Ação Médica, em janeiro de 2009 acordamos como Assistentes Operacionais, não considerados profissionais de saúde.

Passados 15 anos, em dezembro de 2023, passamos a Técnicos Auxiliares de Saúde, depois da enorme controvérsia na passagem de Ex. Assistentes Operacionais para TAS – Técnicos Auxiliares de Saúde pelo Decreto-Lei Nº. 120/2023 de 2023-12-22, que criava a nova categoria profissional especial e inserida nas carreiras especiais da saúde, e já passados quase 3 anos, chega-se à triste conclusão que afinal tudo ficou como dantes, quartel-general em Abrantes.

São profissionais que tiram formação, qualificação e certificação durante 3 anos nível 4.

Apenas mudou o nome, mas chega-se então à triste conclusão que até piorou, se o foco principal seria estarmos mais tempo com o doente, afinal não passou de uma utopia, pois como está descrito no título é mesmo isso que as ULS com a conivência do Ministério da Saúde estão a fazer: esfregona na mão, sermos moços de recados, fazer a cama do médico, limpar gabinetes de chefias de enfermagem, irmos ao armazém, ao serviço de instalações e equipamentos, farmácia, laboratórios, e anda estarmos com o doente pouco tempo, ainda assim auxiliar na higiene do doente, dar a alimentação, proceder à limpeza, desinfeção e descontaminação da respetiva unidade de internamento, e mesmo assim ainda que somos os primeiros a chegar ao doente, recolher os resíduos biológicos e hospitalares.

O que é ainda mais grave, e com conhecimento de todas e todos, é que chega a estar um Técnico Auxiliar de Saúde escalado numa enfermaria para 40 doentes. Se falarmos nos a que chamam de lares, que dos mesmo nada têm, então o cenário é muto mais preocupante e grave. Estamos exaustos em total burnout, com uma média de idades a rondar os 58 anos.

São turnos atrás de turnos, os doentes cada vez maia dependentes, passamos mais tempo nas instituições do que no resto das nossas vidas, também temos família, também somos humanos ou quiçá não e por isso é dos grupos profissionais com mais absentismo, fruto da perca de discernimento que dá azo a acidentes de trabalho que deixam sequelas para o resto da vida.

No entanto, somos essenciais e fulcrais, pois sem um médico não se realiza uma cirurgia, sem enfermam idem, mas sem um Técnico Auxiliar de Saúde também não, a não ser que a sala de cirurgia não seja limpa, lavada, desinfetada e descontaminada e aí lá temos as infeções hospitalares.  Com uma carga muito emocional e psicológica, pois são estes profissionais que, além de auxiliarem a preparar a pessoa que partiu, levam o corpo para a morgue sozinhos. Auferimos pouco mais do Salário Mínimo Nacional, com todo o respeito ganha-se mais num hipermercado. Não somos considerados uma profissão de desgaste rápido, insalubridade e risco.

Não temos um código deontológico, continua algures numa gaveta do Ministério da Saúde, inadmissível e inaceitável para quem trabalha com pessoas, e seus respetivos dados pessoais. Os concursos continuam a ser uma farsa, o lambebotismo é quem mais ordena.

Duas situações: uma ULS que fez negociação com sindicatos, visto que ainda era oriunda de uma PPP, para passarem a Técnicos Auxiliares de Saúde têm de ser sócios de sindicatos – esta situação, além de ilegal, é inconstitucional.

Outra ULS coloca este tipo de critérios totalmente absurdos e nem estão em termos de recrutamento explanados no respetivo Decreto-Lei Nº. 120/2023 de 2023-12-22.

“Participação em Órgãos Sociais (POS) – até 20 valores.

– Participações em Associações Sindicais – 10 valores.

– Participações em Outras Associações – 5 Valores.

– Sem Participações em Órgãos Sociais – 5 valores.”

Mais esta relíquia.

“Formação Profissional (FP).

– Qualificação de Técnico Auxiliar de Saúde – 10 Valores.

– Com formação profissional na área da saúde – 5 valores.

– Sem formação profissional na área da saúde – 5 valores.”

E o que mais andará por aí e nem se sabe.

Sobre este tema, foi a magnífica negociação que os sindicatos acabaram por fazer durante o ano de 2023 com o governo da altura, mas também não é de admirar, pois em Portugal e resto da Europa do Sul, os sindicatos são satélites dos partidos políticos e as respetivas agendas partidárias; nada a ver com os sindicatos da Europa do Norte que até são profissionalizados.

Como facto em Portugal, com uma população de 4 milhões e 100 mil pessoas no ativo, e potenciais a ser sindicalizadas existem 300 sindicatos, na Alemanha com uma população ativa de 40 milhões de pessoas no ativo existem 70 sindicalizados e todos eles profissionalizados. O que realmente é de evidenciar é que continuamos a ser os “Parentes Pobres da Saúde”, os “Invisíveis Indispensáveis”, os “Outros”, os, e perdão pela expressão, os “Limpa Cus”.

Não somos valorizados, respeitados tanto pelos media / mídia, decisores políticos, sociedade civil, com todo o respeito, só existem para estas entidades médicos e enfermagem. Estas situações nomeadamente só acontecem em Portugal, temos colegas a trabalhar nos Países da Europa do Norte que dizem que lá são respeitados e valorizados a todos os níveis. E é isto, só solicitamos que sejamos respeitados e valorizados, e que a Lei seja cumprida.

Disse.

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