14 Mai, 2026

Investigadores criam IA que acelera desenvolvimento de novos antibióticos

Investigadores da Universidade da Pensilvânia desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de conceber e otimizar novos antibióticos em poucas horas, uma inovação que pode acelerar o combate a infeções resistentes e reduzir anos de investigação científica.

Investigadores criam IA que acelera desenvolvimento de novos antibióticos

Uma equipa da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criou um sistema de inteligência artificial generativa que consegue conceber, melhorar e acelerar o desenvolvimento de novos antibióticos, com potencial para revolucionar o combate às infeções resistentes aos medicamentos.

A ferramenta, denominada ApexGO, foi desenvolvida sob liderança do investigador espanhol César de la Fuente e utiliza modelos computacionais para identificar compostos existentes e otimizá-los, gerando novas moléculas com maior capacidade de eliminar bactérias.

Segundo os investigadores, o sistema permite transformar modelos moleculares em candidatos terapêuticos reais com uma velocidade e precisão muito superiores aos métodos tradicionais, reduzindo processos que demorariam anos para apenas algumas horas.

O foco da tecnologia está nos peptídeos, pequenas moléculas com potencial antibacteriano. Em vez de procurar apenas substâncias já conhecidas, a IA parte de estruturas existentes e sugere modificações que podem aumentar a sua eficácia.

Para validar o sistema, os cientistas começaram com dez peptídeos base, geraram novas versões e testaram cerca de 100 compostos em laboratório, avaliando a sua eficácia contra bactérias e possíveis efeitos tóxicos.

Os resultados foram particularmente promissores contra bactérias Gram-negativas, responsáveis por algumas das infeções hospitalares mais difíceis de tratar.

“O ApexGO demonstra que a IA pode ser utilizada para mais do que prever moléculas: pode ajudar a melhorá-las”, afirmou César de la Fuente, sublinhando que o sistema permite explorar novas possibilidades moleculares que podem depois ser sintetizadas e testadas em laboratório.

Os investigadores destacam que a resistência aos antibióticos é uma das maiores ameaças atuais à saúde global e defendem que ferramentas como esta podem acelerar significativamente o desenvolvimento de novas terapias.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Machine Intelligence e aponta para um futuro em que a inteligência artificial poderá desempenhar um papel central na descoberta de medicamentos.

LUSA/SO

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