Internamentos sociais aumentam 19% e ocupam quase 14% das camas do SNS
As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte concentram 85% dos internamentos sociais. A principal causa continua a ser a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados, responsável por 45% dos casos.

De acordo com o Barómetro dos Internamentos Sociais, um total de 2.807 pessoas permanecia internado nos hospitais públicos em março deste ano após ter recebido alta clínica, mais 19% do que no mesmo mês de 2025, ocupando 13,9% das camas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os dados constam da décima edição do Barómetro, divulgado esta quinta-feira pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), em parceria com a EY Portugal, que estima que estes internamentos inapropriados custam ao Estado cerca de 351 milhões de euros por ano.
De acordo com o estudo, registaram-se 2.807 internamentos considerados inapropriados — mais 465 do que no ano anterior — definidos como situações em que os doentes permanecem no hospital após alta clínica sem justificação médica.
O peso destes casos tem vindo a aumentar: representavam 11,1% há dois anos e 11,7% em 2025, atingindo agora os 13,9% do total de internados. No espaço de um ano, foram contabilizados 439.871 dias de internamento indevido, um aumento de 20%. O custo associado também subiu significativamente, mais 63 milhões de euros face ao barómetro anterior. Apesar do aumento do número de casos, o tempo médio de permanência manteve-se praticamente estável, nos 157 dias a nível nacional. Ainda assim, há diferenças regionais expressivas: no Norte, a média atinge os 239 dias, enquanto em Lisboa e Vale do Tejo é de 124 dias e no Alentejo de apenas 32 dias.
Segundo o relatório, as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte concentram 85% dos internamentos inapropriados. A principal causa continua a ser a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados, responsável por 45% dos casos — acima dos 38% registados anteriormente. Citado em comunicado, o presidente da APAH, Xavier Barreto, alertou que “os internamentos sociais continuam a pressionar de forma considerável a capacidade de resposta do SNS”, com impacto direto no acesso aos cuidados de saúde.
O responsável defendeu o reforço da capacidade fora dos hospitais, bem como a simplificação de processos legais, nomeadamente no âmbito do regime do maior acompanhado, que considera ainda um entrave à alta hospitalar.
Entre as soluções apontadas, destaca-se o investimento no apoio domiciliário e nos cuidadores, bem como o aumento da capacidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados, das estruturas residenciais para pessoas idosas e de respostas intermédias, incluindo na área da saúde mental.
O estudo indica ainda que existem alternativas já em funcionamento: 27 hospitais dispõem de respostas para estes casos, com 1.035 doentes integrados em vagas contratualizadas e 714 abrangidos por uma portaria de 2023.
O barómetro conclui que a expansão e qualificação do apoio domiciliário, com equipas multidisciplinares e maior capacidade de resposta, é essencial para reduzir os internamentos após alta clínica, libertar camas hospitalares e melhorar a eficiência do sistema.
A análise contou com a participação de 41 hospitais públicos, representando 97% da capacidade total de internamento do SNS.
SO/LUSA
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